Para a Igreja Católica, a Quaresma marca os 40 dias que Jesus Cristo passou no deserto sendo tentado pelo demônio.
Algumas pessoas, no entanto, acreditam que as semanas que antecedem a Páscoa são sombrias e algo sobrenatural envolve o período.
Não há nenhum embasamento bíblico que justifique as superstições da Quaresma, mas, quem acredita, afirma que, justamente porque Jesus Cristo era perseguido pelo mal, o mundo ficou sem proteção. E são nas pequenas cidades do interior do Brasil, especialmente em São Paulo e Minas Gerais, que estas crenças são ainda mais fortes.
Os supersticiosos têm nas sextas-feiras os dias da semana de maior alerta. Da Quarta-feira de Cinzas até a Sexta-feira Santa são sete fins de semana de pura tensão.
Das superstições que envolvem o período estão as proibições de certas tarefas diárias sob a justificativa de que, se realizadas, virão acompanhadas do mal. Todas elas são evitadas assim que o sol se põe não só por adultos, mas pelas crianças também.
A lista inclui:
- Não varrer a casa após
- Não lavar os cabelos
- Não abrir a porta
- Não espiar pela janela
- Espalhar sal em todas as portas da casa
Segundo o historiador José Antônio Lages, a maioria da crendices não têm base teológica, mas os supersticiosos que seguem a lista, estão certos de que estão protegidos. O historiador afirma também que ainda há aqueles que evitam sorrir ou se divertir na Sexta-Feira Santa e aqueles que optam por não trabalhar no dia também.
Para cada ‘não pode’ da lista há uma explicação dos supersticiosos. O fato de não se lavar os cabelos no período, por exemplo, vem da força que os fios têm.
“O cabelo é a nossa força vital e os espíritos obsessores precisam dessa energia que emana dele. É a mesma coisa da unha, que não pode ser cortada à noite durante a Quaresma. Tudo que envolve alguma parte do nosso corpo, tem a ver com espíritos maus nos obsidiando no período”, diz Matheus.
Segundo ele, ao varrer a casa, a pessoa ainda manda embora os espíritos bons e deixa o ambiente, mais uma vez, sem proteção.
Já o sal espalhado nas portas da casa, principalmente na de entrada, garante que os espíritos ruins não invadam o lar dos supersticiosos.
Lages também conta que as superstições ainda incluem evitar qualquer tipo de divertimento e até não sorrir demais às sextas-feiras, para a alegria não chamar a atenção. Segundo o padre Anderson Xavier Lopes, nenhuma das superstições que envolvem o período têm embasamento bíblico e, por isso, não deveriam ser seguidas.
Ele afirma que a única orientação da Igreja Católica, e que nada tem a ver com superstição, é o fato de que a carne vermelha deve ser evitada às sextas-feiras, em especial, na Sexta-Feira Santa.





