A tentativa de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a terceirização da merenda escolar em Ponta Grossa foi oficialmente encerrada nesta segunda-feira (30), após a retirada de assinaturas que inviabilizou o andamento do pedido na Câmara Municipal.
Com a perda de apoio, o requerimento deixou de atingir o número mínimo exigido pelo regimento interno e acabou sendo arquivado antes mesmo de ser levado à discussão em plenário.
Retirada de assinaturas derruba comissão
A proposta perdeu força após três vereadores formalizarem a retirada de seus nomes: Fábio Silva, Jairton da Farmácia e Dr. Erick.
- Fábio Silva
- Dr. Erick
- Jairton da Fármacia
Inicialmente, o documento contava com nove assinaturas, número suficiente para garantir a abertura da CPI. No entanto, com as desistências, o total caiu para seis, abaixo do mínimo de sete parlamentares necessário para a instauração de comissões investigativas no Legislativo.
Com isso, o pedido foi arquivado automaticamente, sem avançar para as próximas etapas.
A retirada das assinaturas confirmou um movimento que já vinha sendo articulado nos bastidores desde a última sexta-feira (27). Durante o fim de semana, parlamentares reavaliaram o apoio à proposta.
Um dos vereadores que recuaram, Fábio Silva, já havia sinalizado anteriormente a possibilidade de retirada. Ele afirmou que realizou visitas a escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) e não identificou reclamações consideradas graves sobre a merenda.
O parlamentar também questionou a motivação do pedido de CPI, sugerindo que a iniciativa poderia estar relacionada a interesses políticos em ano eleitoral.
Grupo que manteve apoio
Mesmo com o recuo de parte dos parlamentares, seis vereadores mantiveram apoio ao requerimento: Geraldo Stocco, Professora Marisleidy, Joce Canto, Teka dos Animais, Mazer e Maurício Silva.
A redução no número de assinaturas, no entanto, inviabilizou a continuidade da proposta, encerrando a tentativa de abertura imediata da investigação.
Entenda o pedido de CPI
A CPI havia sido proposta pelo vereador Geraldo Stocco com o objetivo de investigar o contrato de terceirização da merenda escolar no município.
O foco do requerimento era a apuração de possíveis irregularidades envolvendo a empresa Ômega Alimentação e Serviços Especializados S/A, responsável pelo fornecimento após vencer o pregão 106/2025.
O contrato, segundo informações apresentadas durante o debate, ultrapassa R$ 79 milhões e envolve diretamente a alimentação de estudantes da rede pública municipal.
Ao defender a abertura da comissão, Stocco argumentou que o tema possui interesse público relevante e destacou a necessidade de garantir transparência na aplicação dos recursos.
Debate gerou tensão na Câmara
A proposta provocou forte repercussão no Legislativo e passou a dominar as discussões no plenário, evidenciando divergências entre os vereadores.
Parte dos parlamentares defendia a investigação como forma de esclarecer dúvidas sobre a execução do contrato. Já integrantes da base governista manifestaram resistência à criação da CPI.
O vereador Pastor Ezequiel, por exemplo, afirmou que realiza fiscalizações frequentes nas unidades escolares, com visitas e diálogo com a comunidade.
Apesar do clima de tensão, o autor do requerimento reforçou que a iniciativa não tinha caráter pessoal e buscava apenas ampliar a transparência na gestão pública.
Prefeitura se manifestou
Diante da repercussão, a Prefeitura de Ponta Grossa também se posicionou sobre o tema.
Em nota, o Município afirmou que, até aquele momento, não havia formalização definitiva da CPI e destacou que todos os procedimentos relacionados ao contrato seguem os princípios de legalidade, transparência e controle.
A administração municipal também ressaltou que a eventual criação de uma comissão é atribuição do Poder Legislativo e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos.
Leia também: : Mesmo com repasses à VCG, tarifa do ônibus sobe para R$ 6 em Ponta Grossa – MZ Notícia








