Redução da safra nacional aumenta a necessidade de compras externas, com a Argentina permanecendo como principal fornecedora do cereal.
A menor produção brasileira de trigo na atual safra deve elevar as importações do cereal a um volume recorde em 2026, segundo projeções de consultorias e entidades do agronegócio. A necessidade de complementar o abastecimento interno fortalece ainda mais a participação da Argentina como principal fornecedora do produto para o mercado brasileiro.
De acordo com estimativas da consultoria Safras & Mercado, o Brasil poderá importar até 8,9 milhões de toneladas de trigo neste ano, superando o recorde de 7,1 milhões de toneladas registrado na safra 2006/07. O número também é superior à projeção divulgada pela própria consultoria em abril, quando a expectativa era de 8,2 milhões de toneladas.
Mercado projeta aumento das importações
Outras instituições também estimam crescimento nas compras internacionais, embora com números mais moderados. A TF Consultoria Agroeconômica prevê importações entre 6,5 milhões e 7,2 milhões de toneladas. Já a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta cerca de 7 milhões de toneladas, enquanto a StoneX estima um volume entre 6 milhões e 6,5 milhões de toneladas.
A Argentina segue como principal origem do trigo importado pelo Brasil, favorecida pela proximidade geográfica, menores custos logísticos e pela isenção de tarifas de importação prevista nas regras do Mercosul.
Moinho de Ponta Grossa amplia compras externas
No Moinho Herança Holandesa, em Ponta Grossa, a expectativa é de que aproximadamente 20% do trigo processado seja importado. A empresa recebe a produção de cooperados da Frísia, Castrolanda e Capal, além de adquirir cereal de outras regiões do Paraná e de São Paulo.
Diante da menor oferta nacional, o moinho pretende ampliar as compras de trigo provenientes da Argentina e do Paraguai.
Segundo o gerente de negócios da empresa, Cleonir Vitório Ongaratto, o setor enfrenta aumento dos custos com matéria-prima de maior qualidade, embalagens e transporte, o que pressiona as margens da indústria.
Com capacidade para moer 12 mil toneladas por mês, o moinho abastece indústrias de panificação, padarias e o varejo, tendo como principais mercados os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Clima e custos preocupam o setor
Além da redução na produção, a qualidade do trigo nacional também preocupa o mercado. Especialistas alertam que possíveis impactos do fenômeno El Niño durante a colheita podem comprometer tanto a produtividade quanto o padrão do cereal.
Para a indústria, um dos principais desafios é manter a regularidade da farinha produzida, garantindo a qualidade exigida pelos clientes.
Mesmo com oferta disponível no mercado internacional, analistas avaliam que o principal impacto para o Brasil será o aumento dos custos de importação, fator que tende a influenciar os preços praticados no mercado interno.





