Anac reconhece impasse e vai estudar solução para ampliação da pista do Aeroporto Sant’Ana
Política Ponta Grossa

Anac reconhece impasse e vai estudar solução para ampliação da pista do Aeroporto Sant’Ana

29/07/2026 | 19:01 Por manu

Durante audiência pública, agência admitiu que a PR-151 e a linha férrea dificultam a expansão da pista, mas afirmou que o caso de Ponta Grossa exige uma solução específica.

Anac admite necessidade de solução para o Aeroporto Sant’Ana

A ampliação da pista do Aeroporto Sant’Ana, em Ponta Grossa, ganhou um novo desdobramento nesta quarta-feira (29). Durante audiência pública promovida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), representantes do órgão reconheceram que o terminal possui características específicas e informaram que será necessário estudar uma alternativa técnica para viabilizar sua expansão.

A audiência faz parte da Consulta Pública nº 10/2026, que discute a repactuação do contrato de concessão do Aeroporto Internacional de Brasília. A proposta prevê que a futura concessionária também assuma a administração de dez aeroportos regionais por meio do Programa AmpliAR, entre eles o Aeroporto Sant’Ana.

As contribuições para a consulta pública permanecem abertas até o dia 7 de agosto.

Prefeitura pede inclusão da ampliação da pista no edital

Durante a audiência, a prefeita Elizabeth Schmidt defendeu que a ampliação da pista seja incluída entre os investimentos obrigatórios da futura concessionária.

O principal questionamento do Município está relacionado à classificação do aeroporto no edital. Embora o Aeroporto Sant’Ana esteja enquadrado na Faixa 3, destinada a estruturas preparadas para aeronaves classificadas como Código 3C, o documento mantém uma exceção quanto ao comprimento da pista.

Atualmente, a pista possui aproximadamente 1.430 metros de extensão física, mas apenas cerca de 1.280 metros são considerados operacionais. Pela regra geral aplicada aos aeroportos dessa categoria, a pista deveria contar com pelo menos 1.799 metros, permitindo a operação regular de aeronaves como Airbus A320, Boeing 737 e modelos da família Embraer E2.

Segundo a Prefeitura, essa exceção pode dispensar a futura concessionária da execução da obra considerada fundamental para ampliar a capacidade operacional do aeroporto.

Município destaca investimentos já realizados

Na manifestação apresentada durante a audiência, a administração municipal argumentou que há uma incompatibilidade entre as exigências previstas no edital.

Enquanto o projeto prevê pátio de aeronaves, pavimentação e demais estruturas compatíveis com aeronaves Código 3C, não estabelece a obrigatoriedade de uma pista com extensão suficiente para receber esse tipo de equipamento.

A prefeita também destacou a importância regional de Ponta Grossa, que possui cerca de 380 mil habitantes e integra uma região com aproximadamente 1,2 milhão de moradores.

Além disso, ressaltou que já foram realizados investimentos públicos na infraestrutura aeroportuária, incluindo o novo terminal de passageiros, a pista de taxiamento e o novo pátio de aeronaves, projetado para ultrapassar 18 mil metros quadrados e suportar aeronaves de maior porte.

PR-151 e ferrovia dificultam ampliação

Ao responder aos questionamentos, representantes da Anac reconheceram que existem limitações físicas para a expansão da pista.

De um lado do aeroporto está a PR-151, localizada em um nível inferior ao da pista. Do outro, há uma linha férrea utilizada para o transporte de cargas. Segundo a agência, essas características tornam a ampliação mais complexa e podem exigir obras de engenharia, alterações viárias e articulação com outros órgãos e concessionárias.

Apesar dos desafios, a Anac informou que o tema já vinha sendo discutido internamente e confirmou que o Aeroporto Sant’Ana deverá receber um estudo específico para identificar uma solução.

No entanto, durante a audiência não foi anunciado um novo projeto, cronograma de obras ou a inclusão imediata da ampliação da pista entre as obrigações da futura concessionária.

Aeroporto segue sem voos comerciais regulares

A discussão ocorre enquanto o Aeroporto Sant’Ana permanece sem operações comerciais regulares desde o encerramento dos voos da Azul. Conforme informado pela companhia anteriormente, não há previsão para retomada das operações em Ponta Grossa.

Sem ligações aéreas regulares, moradores, empresários e profissionais dos Campos Gerais continuam utilizando principalmente o Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, além de outros terminais da região.

Paralelamente ao processo de concessão, a Prefeitura transferiu a administração do aeroporto para a Secretaria Municipal de Infraestrutura e criou o Departamento de Administração Aeroportuária.

Também foi autorizado um crédito adicional especial de R$ 19.700.016,01. Desse total, R$ 18.557.693,21 serão destinados à ampliação da estrutura, R$ 130 mil à aquisição de equipamentos e aproximadamente R$ 1,01 milhão à manutenção das atividades do terminal.

Consulta pública segue aberta

A audiência pública não definiu o futuro da ampliação da pista, mas marcou o reconhecimento, por parte da Anac, de que o Aeroporto Sant’Ana apresenta características que exigem uma solução específica.

Agora, a expectativa do Município é que a versão final do edital elimine a exceção referente aos atuais 1.280 metros operacionais e estabeleça a ampliação da pista como obrigação contratual da futura concessionária, permitindo que a infraestrutura já construída seja utilizada em seu potencial máximo e favorecendo a retomada dos voos comerciais.