Golpistas usam programas do governo em anúncios falsos nas redes sociais para aplicar golpes Linha fina:
Brasil

Golpistas usam programas do governo em anúncios falsos nas redes sociais para aplicar golpes Linha fina:

07/08/2026 | 12:30 Por Redacao

Levantamento identificou 860 anúncios fraudulentos que utilizavam programas públicos para atrair vítimas com falsas promessas de benefícios e dinheiro.

Estudo revela crescimento de anúncios fraudulentos

Golpistas estão utilizando programas e serviços do governo federal como isca para aplicar golpes por meio de anúncios falsos publicados nas plataformas da Meta, como Facebook e Instagram.

Um levantamento realizado pelo Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NetLab/UFRJ) identificou 860 anúncios fraudulentos publicados entre janeiro e março de 2026 por 152 páginas diferentes.

As publicações exploravam programas sociais e serviços públicos para atrair usuários e direcioná-los a páginas falsas.

Valores a Receber lidera lista

O serviço mais explorado pelos criminosos foi o Valores a Receber, do Banco Central, citado em 345 anúncios.

Na sequência aparecem:

  • Brasil Sorridente: 230 anúncios;
  • Minha Casa, Minha Vida: 67;
  • Auxílio Gás: 62;
  • Bolsa Família: 31;
  • CNH do Brasil: 30;
  • Carteira de Trabalho: 29;
  • Desenrola Brasil: 19.

Segundo o levantamento, cerca de 26,3% dos anunciantes utilizaram mais de um programa público em suas campanhas fraudulentas.

Falsas promessas para enganar vítimas

Os anúncios prometiam dinheiro, benefícios ou serviços inexistentes, utilizando informações falsas ou retiradas de contexto para convencer os usuários.

Em alguns casos, as vítimas eram direcionadas para páginas que cobravam taxas para realizar consultas sobre supostos benefícios.

Entre as falsas promessas identificadas estavam a liberação de até R$ 12 mil para trabalhadores e um programa inexistente de cashback destinado a usuários de cartão de crédito.

Criminosos simulam páginas oficiais

O estudo também revelou que os golpistas criam sites com aparência de canais oficiais do governo para aumentar a credibilidade do golpe.

Dos anúncios analisados, 185 utilizavam páginas que imitavam serviços públicos. Em 154 deles, os usuários eram levados para sites que simulavam portais oficiais. Outros 66 anúncios foram publicados por páginas que utilizavam nomes e elementos visuais semelhantes aos de órgãos públicos.

Os criminosos também registravam endereços eletrônicos contendo termos como “oficial”, “org” e referências a instituições governamentais para transmitir falsa sensação de autenticidade.

Identidade de veículos de imprensa também foi utilizada

Os pesquisadores identificaram ainda anúncios que utilizavam indevidamente a identidade visual de veículos de comunicação e conteúdos com aparência jornalística para dar credibilidade às publicações.

Entre os casos analisados, páginas falsas reproduziam elementos gráficos de portais de notícias para divulgar supostas consultas a benefícios, conduzindo os usuários a sites fraudulentos.

Especialistas alertam para estrutura organizada

De acordo com os pesquisadores, o número de anúncios identificados representa apenas uma pequena parte de uma estrutura maior de golpes na internet.

Eles alertam que um único anúncio pode alcançar milhares ou até milhões de pessoas e reforçam que a transparência limitada sobre publicidade nas plataformas dificulta a identificação da dimensão real do problema.

A orientação é que os cidadãos consultem benefícios e serviços públicos apenas pelos canais oficiais do governo e evitem acessar links recebidos por anúncios ou redes sociais.