SUS passa a oferecer novo teste para rastreamento do câncer colorretal
Brasil Saúde

SUS passa a oferecer novo teste para rastreamento do câncer colorretal

10/08/2026 | 21:25 Por manu

Teste imunoquímico fecal é destinado a homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos e deverá ser realizado a cada dois anos

O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a incluir, a partir desta segunda-feira (10), o teste imunoquímico fecal (FIT) na lista de procedimentos disponíveis na rede pública. O exame será utilizado no rastreamento do câncer colorretal em homens e mulheres assintomáticos com idade entre 50 e 75 anos.

A nova estratégia prevê a realização do teste a cada dois anos. A medida foi estabelecida por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União.

O procedimento é destinado exclusivamente ao rastreamento da doença e não deve ser utilizado para investigação diagnóstica de pessoas que apresentam sintomas ou que tenham suspeita clínica de câncer.

Exame identifica sangue oculto nas fezes

O FIT é realizado a partir de uma amostra de fezes e detecta pequenas quantidades de sangue oculto, que não podem ser identificadas a olho nu.

A presença de sangue pode estar relacionada a pólipos, lesões pré-cancerígenas ou ao próprio câncer colorretal.

Uma das diferenças em relação aos métodos mais antigos de pesquisa de sangue oculto nas fezes é que o FIT utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano, o que aumenta a precisão do exame.

O paciente recebe um kit para realizar a coleta em casa. O material é posteriormente encaminhado para análise laboratorial.

Caso o resultado indique a presença de sangue oculto, o paciente será encaminhado para exames complementares.

Teste pode ampliar acesso à prevenção

De acordo com os dados apresentados pelo Ministério da Saúde, o teste apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.

A inclusão do exame no SUS pode ampliar o acesso à prevenção e à detecção precoce do câncer colorretal para mais de 40 milhões de brasileiros.

Atualmente, o câncer colorretal é o segundo tipo de câncer mais frequente no Brasil, considerando os tumores que não são de pele não melanoma.

A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de 53,8 mil novos casos da doença a cada ano no país durante o triênio de 2026 a 2028.

Coleta pode ser feita em casa

Entre as características do FIT estão a possibilidade de coleta domiciliar e a ausência de necessidade de preparo intestinal.

O exame também não exige dieta restritiva antes da coleta e pode ser realizado com apenas uma amostra, além de ser considerado menos invasivo e apresentar potencial para maior adesão da população.

Principais características do FIT

  • Não exige preparo intestinal;
  • Não necessita de dieta restritiva antes da coleta;
  • Pode ser realizado com apenas uma amostra;
  • É menos invasivo;
  • Pode facilitar a adesão da população ao rastreamento.

Colonoscopia continua sendo necessária em determinados casos

Apesar da inclusão do FIT no rastreamento, a colonoscopia continua sendo a principal forma de avaliação do intestino.

O procedimento permite a visualização direta do cólon e do reto e possibilita a retirada de pólipos durante o exame. Dessa forma, algumas lesões podem ser removidas antes de evoluírem para um câncer.

O resultado positivo no teste de fezes pode levar à indicação de exames complementares, conforme avaliação médica.