Presidente da Ucrânia diz que número de militares da Coreia do Norte enviados para combater ao lado das forças russas supera estimativas anteriores
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou no domingo (9) que até 50 mil soldados norte-coreanos teriam sido mobilizados pela Rússia para atuar na guerra contra a Ucrânia.
O número apresentado por Zelensky é significativamente superior à estimativa anterior, de aproximadamente 30 mil militares, divulgada em julho. O presidente ucraniano, porém, não revelou como obteve a nova cifra.
A informação reforça, segundo autoridades e especialistas citados no material, a dependência da Rússia de tropas estrangeiras diante das dificuldades enfrentadas pelo Kremlin para ampliar o recrutamento de soldados próprios.
Rússia busca apoio militar da Coreia do Norte
A aproximação entre Moscou e Pyongyang ganhou força em junho de 2024, quando os presidentes Vladimir Putin e Kim Jong-un assinaram um tratado de parceria estratégica.
O acordo prevê assistência mútua caso uma das partes seja alvo de uma agressão externa.
Ainda em 2024, a Coreia do Norte teria enviado aproximadamente 14 mil soldados para a região russa de Kursk. As tropas participaram de ações destinadas a auxiliar as forças russas na contenção de uma ofensiva ucraniana na região.
A aproximação entre os dois países também foi reforçada em 2025, quando Putin e Kim Jong-un participaram de uma cerimônia que marcou o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial.
Rússia enfrenta dificuldades para ampliar efetivo
A guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, provocou elevadas perdas entre as forças russas e aumentou a pressão sobre o governo para manter o número de combatentes disponíveis.
Segundo estimativas mencionadas no material, cerca de 1,5 milhão de soldados russos teriam sido mortos, feridos ou ficado incapacitados para o combate.
A professora de Relações Internacionais da Sciences Po de Paris, Marie Mendras, apontou as dificuldades enfrentadas pelo Exército russo para manter o efetivo necessário no conflito.
Apesar da mobilização permanente decretada em setembro de 2022, Moscou enfrenta obstáculos para realizar novos recrutamentos em escala suficiente.
Recrutamento de estrangeiros aumenta
Diante da dificuldade para obter novos soldados internamente, o Kremlin passou a recorrer a combatentes estrangeiros em maior escala.
Segundo avaliação de especialista mencionada no material, a necessidade de tropas aumenta caso a Rússia pretenda manter as operações militares no território ucraniano. O Exército russo, de acordo com essa análise, não conseguiria mobilizar sozinho as centenas de milhares de homens necessários para uma nova ofensiva de grande escala.
A situação também envolve regiões ocupadas pelas forças russas, como a Crimeia e áreas do leste da Ucrânia. Parte da população dessas localidades tenta deixar os territórios controlados por Moscou em busca de segurança.
Civis enfrentam riscos constantes
Enquanto o conflito continua, moradores de cidades ucranianas também passaram a adotar medidas para tentar reduzir os riscos provocados pelos ataques.
Em uma das cidades, foram instaladas redes de proteção suspensas sobre as ruas com o objetivo de tentar conter drones russos.
As medidas mostram como a guerra alterou a rotina da população civil e ampliou a necessidade de proteção diante dos ataques aéreos.
Número de soldados norte-coreanos ainda é uma estimativa
A afirmação de Zelensky sobre a presença de até 50 mil militares norte-coreanos representa uma cifra superior às estimativas divulgadas anteriormente.
Caso o número seja confirmado, ele poderá evidenciar uma dependência ainda maior da Rússia em relação à Coreia do Norte para manter sua capacidade militar.
O conflito continua sem uma solução definitiva, enquanto Moscou busca manter seu efetivo e Kiev enfrenta os impactos dos ataques e da presença de tropas russas em seu território.





