Levantamento do TCE-PR aponta que municípios paranaenses contrataram 1.158 artistas entre 2021 e o primeiro semestre de 2026
As prefeituras do Paraná gastaram aproximadamente R$ 1,2 bilhão em shows e contratações artísticas entre 2021 e o primeiro semestre de 2026. Os dados fazem parte de um painel desenvolvido pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR).
No período, foram registrados contratos com 1.158 artistas, cantores, duplas e grupos musicais. Das 399 prefeituras paranaenses, apenas seis não apresentaram registros desse tipo de despesa.
Ponta Grossa aparece entre os maiores gastos
Entre os municípios que mais gastaram com shows no período, Ponta Grossa aparece na terceira posição, com aproximadamente R$ 25,8 milhões destinados a contratações artísticas.
O ranking é liderado por:
- São José dos Pinhais – R$ 41,7 milhões;
- Paranaguá – R$ 29,6 milhões;
- Ponta Grossa – R$ 25,8 milhões;
- Castro – R$ 25,4 milhões;
- Fazenda Rio Grande – R$ 21,4 milhões.
Também estão entre os dez maiores gastos Santa Terezinha de Itaipu, Guarapuava, Francisco Beltrão, Marechal Cândido Rondon e Ortigueira.
Curitiba aparece na 11ª posição, com aproximadamente R$ 16 milhões.
Fernando e Sorocaba lideram pagamentos
Entre os artistas contratados pelas prefeituras, Fernando e Sorocaba aparecem no topo, com R$ 18,1 milhões recebidos no período.
Na sequência estão:
- Guilherme e Benuto – R$ 13 milhões;
- Ana Castela – R$ 12,6 milhões;
- Maiara e Maraisa – R$ 11,2 milhões;
- Luan Pereira – R$ 11,1 milhões;
- Leonardo – R$ 10,6 milhões;
- Clayton e Romário – R$ 10,4 milhões;
- Rio Negro e Solimões – R$ 9,8 milhões;
- Léo e Raphael – R$ 9,8 milhões;
- Mato Grosso e Mathias – R$ 9,3 milhões;
- Antony e Gabriel – R$ 9,1 milhões.
Bruno e Barreto, Bruno e Marrone e João Bosco e Vinícius aparecem com aproximadamente R$ 9 milhões cada.
A média de cada contratação artística registrada foi de R$ 112,3 mil.
Gastos aumentaram nos últimos anos
Os números mostram crescimento expressivo dos gastos com eventos ao longo do período.
Em 2021, ainda sob os efeitos da pandemia de Covid-19, foram empenhados R$ 25,1 milhões. O maior valor foi registrado em 2025, com R$ 403,5 milhões.
Em 2024, os gastos chegaram a R$ 292,2 milhões. Já em 2026, considerando os dados disponíveis até o primeiro semestre, os empenhos somam R$ 144,7 milhões.
As transferências provenientes de emendas parlamentares utilizadas para financiar shows chegaram a aproximadamente R$ 4,3 milhões, equivalente a 0,35% do total.
Seis municípios não registraram gastos
Segundo os critérios utilizados pelo painel, seis municípios não apresentaram registros de despesas com shows entre 2021 e o primeiro semestre de 2026.
São eles Campo do Tenente, Guaporema, Nova Cantu, Paulo Frontin, Pinhal de São Bento e Piraquara.
O TCE-PR destaca que as informações são encaminhadas pelos próprios municípios, sendo responsabilidade dos representantes legais e responsáveis técnicos a exatidão dos dados enviados.
Painel permite acompanhar aplicação dos recursos
A ferramenta reúne, desde 2021, 10.900 empenhos com valores a partir de R$ 20 mil. O sistema permite consultar os gastos por município, ano, mês, artista contratado e fonte dos recursos.
Também é possível comparar os valores destinados aos shows com receitas municipais e investimentos em áreas como saúde e educação.
O levantamento identificou situações com indícios de possível utilização irregular de recursos públicos para pagamento de eventos, incluindo verbas que teriam destinação para saúde, educação básica, Fundo do Idoso, Corpo de Bombeiros e iluminação pública.
Nos casos em que eventual irregularidade for confirmada, o Tribunal informou que poderá instaurar procedimentos de fiscalização.





