Queima controlada atinge 120 hectares no Parque Vila Velha e ajuda a prevenir grandes incêndios
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Queima controlada atinge 120 hectares no Parque Vila Velha e ajuda a prevenir grandes incêndios

31/08/2026 | 18:26 Por Redação MZ

Ação realizada em Ponta Grossa também busca controlar espécies invasoras, recuperar campos naturais e aumentar a diversidade da vegetação

Uma operação de queima prescrita atingiu 120 hectares de campos naturais no Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, entre os dias 23 e 28 de agosto.

A ação foi realizada pelo Instituto Água e Terra (IAT) em parceria com o Corpo de Bombeiros do Paraná e teve como objetivo controlar espécies invasoras, recuperar a vegetação característica da região e reduzir o risco de incêndios de grandes proporções.

A área manejada equivale, aproximadamente, a 168 campos de futebol. Segundo as informações divulgadas, os trabalhos mobilizaram 512 pessoas ao longo da operação.

Meta é restaurar mais de 1,4 mil hectares

O uso planejado do fogo faz parte das estratégias de conservação e restauração dos campos naturais do Parque Estadual de Vila Velha.

A meta do IAT é restaurar cerca de 1,43 mil hectares até 2030, com intervenções realizadas gradualmente em áreas previamente delimitadas.

A técnica não é novidade no parque e vem sendo utilizada desde 2014. Outras unidades de conservação do Paraná também utilizam o método, como o Parque Estadual do Cerrado, na região de Jaguariaíva e Sengés.

O Parque Estadual do Guartelá, em Tibagi, também deverá receber operações semelhantes.

Fogo controlado ajuda no combate a espécies invasoras

A queima prescrita é utilizada para impedir o avanço de espécies que podem modificar as características naturais dos campos.

Entre as plantas monitoradas estão espécies do gênero Baccharis, conhecidas popularmente como vassouras.

Quando esses arbustos e árvores avançam sobre áreas campestres, podem reduzir a entrada de luz no solo e alterar a vegetação típica dos Campos Gerais.

A operação é realizada principalmente durante o inverno, entre julho e agosto, período em que fatores como umidade do ar, temperatura, velocidade e direção do vento são monitorados para garantir condições adequadas e seguras para o manejo.

Área manejada registrou 89% mais espécies

Dados apresentados pelo IAT apontam resultados positivos após a utilização da técnica.

Em uma área onde a queima prescrita foi aplicada em 2024, pesquisadores identificaram 36 espécies de vegetação características dos campos naturais.

Em uma área sem intervenção, foram encontradas 19 espécies.

O resultado representa aproximadamente 89% mais espécies na área submetida ao manejo controlado.

Outro índice, que considera tanto a quantidade quanto a distribuição das espécies, apontou uma diversidade 72,5% maior na área onde o fogo foi utilizado de forma planejada.

Estratégia também busca evitar incêndios de grandes proporções

Além da recuperação ambiental, a queima controlada também ajuda a reduzir o material combustível acumulado no solo.

Durante períodos de estiagem, grandes quantidades de vegetação seca podem favorecer incêndios mais intensos e difíceis de controlar.

Com a retirada planejada de parte desse material, a estratégia reduz a quantidade de combustível disponível para um eventual incêndio fora de controle.

Manejo também beneficia a fauna

A conservação dos campos naturais também influencia diretamente os animais que dependem desse tipo de ambiente para alimentação e abrigo.

Um dos exemplos destacados é o tamanduá-bandeira, espécie que voltou a ser registrada no Parque Estadual de Vila Velha após cerca de 30 anos sem aparições documentadas no local.

Segundo o IAT, a utilização do fogo está prevista no Plano de Manejo do parque.

A realização das operações durante o inverno também busca reduzir os impactos sobre a fauna, já que, nesse período, as aves da região não estão em sua principal fase reprodutiva e há menor presença de ninhos nas áreas onde ocorre a intervenção.

 

 

Foto Divulgação.