Presidente da Corte espera manifestações de Alexandre de Moraes e André Mendonça até sexta-feira (11) antes de definir se levará o caso ao plenário
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, aguarda até esta sexta-feira (11) as explicações dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça antes de decidir quais serão os próximos passos diante da crise interna envolvendo os dois magistrados.
Depois de receber as manifestações, Fachin poderá decidir se leva o caso para julgamento no plenário do STF, em uma sessão aberta ou fechada. Outra possibilidade é convocar uma reunião reservada em seu gabinete para que os ministros da Corte discutam conjuntamente como conduzir a situação.
Crise ganhou dimensão inédita
O conflito entre Moraes e Mendonça ganhou força após a divulgação de relatórios considerados comprometedores e de pedidos para que um investigasse o outro.
No episódio mais recente, Mendonça liberou para julgamento em plenário um relatório da Polícia Federal (PF) que aponta uma relação de proximidade entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master e investigado por suspeitas envolvendo fraudes financeiras bilionárias e corrupção de autoridades públicas.
A atual crise ocorre meses depois de outro episódio envolvendo o caso Banco Master. Em fevereiro deste ano, uma suposta ligação entre Vorcaro e o ministro Dias Toffoli veio a público. Na ocasião, a relatoria do processo foi transferida de Toffoli para Mendonça.
Fachin concentra documentos em processo próprio
Uma das diferenças em relação à crise atual é a decisão de Fachin de reunir, em um processo próprio sob sua relatoria, documentos e pedidos relacionados ao caso.
Embora seja considerada uma possibilidade pouco provável, Fachin também poderia tomar uma decisão individual sobre o arquivamento ou a abertura de investigação envolvendo integrantes da própria Corte.
Entre os pedidos que chegaram ao processo está uma solicitação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para que o relatório da PF liberado por Mendonça seja anulado.
Gonet argumenta que somente o plenário do Supremo poderia ter autorizado o avanço das investigações envolvendo um dos ministros da Corte.
O próprio procurador-geral, porém, é mencionado no relatório da PF por possíveis ligações com Daniel Vorcaro.
Moraes pede investigação contra Mendonça
Alexandre de Moraes também apresentou um pedido a Fachin para que André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Para fundamentar a solicitação, Moraes apresentou um relatório de inteligência da Polícia Federal segundo o qual Mendonça poderia direcionar as investigações relacionadas ao caso Banco Master com o objetivo de atingir adversários políticos.
O documento, entretanto, não é assinado e traz, em sua capa, a advertência de que se trata de conjecturas “sem valor probatório”.
Plenário tem competência para julgar ministros
O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal estabelece que cabe ao plenário da Corte processar e julgar seus próprios ministros.
A norma, entretanto, não detalha todos os procedimentos que devem ser adotados em situações como a atual.
Com as manifestações de Moraes e Mendonça previstas para até sexta-feira, Fachin deverá avaliar os documentos antes de definir como o Supremo conduzirá a crise interna.




