Sandro Alex leva ao TCU denúncia sobre mudança no estatuto da Fiep e eventos com Moro
Política

Sandro Alex leva ao TCU denúncia sobre mudança no estatuto da Fiep e eventos com Moro

18/09/2026 | 13:37 Por Redacao

Candidato ao governo do Paraná questiona alteração aprovada em agosto e contratos relacionados a eventos realizados pela entidade em 2025

Denúncia questiona mudança no estatuto

O candidato ao governo do Paraná Sandro Alex (PSD) protocolou uma denúncia no Tribunal de Contas da União (TCU) questionando uma alteração no estatuto da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e o uso da estrutura da entidade em eventos dos quais participou o senador Sergio Moro (PL).

Segundo a denúncia, a mudança estatutária teria retirado uma regra que impedia Edson Vasconcelos, ex-presidente da Fiep e candidato a vice-governador na chapa de Moro, de reassumir a presidência da instituição.

A representação sustenta que a alteração poderia beneficiar diretamente Vasconcelos. A Fiep, por sua vez, afirma que as deliberações seguiram o rito estatutário e que apresentará a documentação ao TCU caso seja formalmente notificada.

Regra de cinco anos foi alterada

Edson Vasconcelos foi eleito presidente da Fiep para o mandato de 2023 a 2027, mas deixou o cargo em março de 2026 após se filiar ao PL para disputar a eleição como candidato a vice-governador na chapa de Sergio Moro.

Até então, o estatuto previa que quem renunciasse ou perdesse o mandato ficaria impedido, durante cinco anos, de ocupar cargos na Federação, inclusive funções de representação.

Em 26 de agosto, uma Assembleia Geral Extraordinária aprovou uma alteração que criou uma exceção para casos de perda de mandato decorrente de incompatibilidade com função política ou de renúncia.

A denúncia apresentada por Sandro Alex questiona se a mudança foi feita especificamente para alcançar a situação de Vasconcelos.

Eventos realizados em 2025 também são questionados

A representação também aborda eventos promovidos pela Fiep em 2025. Segundo a denúncia, Sergio Moro participou de praticamente todos os Fóruns Regionais da Indústria realizados naquele ano.

A petição cita, entre outros exemplos, um evento em Irati, no qual Moro falou sobre sua atuação política e sobre demandas identificadas durante sua passagem pelos municípios.

Para a denúncia, essas participações teriam ultrapassado a pauta institucional e industrial. Essa interpretação, contudo, faz parte dos questionamentos apresentados ao TCU e ainda depende de apuração.

Contratos somam cerca de R$ 11,27 milhões

A denúncia também questiona cinco contratos do Sistema Fiep, Sesi, Senai e IEL relacionados à divulgação e à estrutura dos fóruns realizados em 2025.

Conforme os valores apresentados na representação, os contratos somam cerca de R$ 11,27 milhões. Entre eles estão:

  • R$ 600 mil para mídia e divulgação do “Momento Indústria”;
  • R$ 496,1 mil em propaganda de rádio;
  • R$ 2,27 milhões para locação de tendas e estruturas;
  • R$ 1,9 milhão para organização de eventos e alimentação;
  • R$ 6 milhões em contratos para serviços de live marketing.

A execução registrada nos contratos citados supera R$ 5,18 milhões.

A própria denúncia ressalva que os contratos, considerados individualmente, podem corresponder a atividades legítimas de comunicação institucional. O questionamento apresentado ao TCU é se os recursos e estruturas foram utilizados de maneira separada de eventuais atividades de caráter eleitoral.

Pedido de investigação ao TCU

A representação solicita que o Tribunal de Contas da União analise se a alteração do estatuto e os gastos relacionados aos eventos atenderam a interesses políticos específicos.

O documento também pede a preservação e análise de registros referentes aos eventos e à Assembleia Geral Extraordinária, incluindo contratos, gastos realizados e origem dos recursos.

Segundo a representação, o objetivo é verificar se a estrutura financiada pelo Sistema Fiep foi utilizada para favorecer candidaturas ou interesses eleitorais.

Fiep afirma que aguarda notificação formal

A Federação das Indústrias do Estado do Paraná informou que tomou conhecimento da denúncia, mas ainda não havia sido formalmente citada pelo TCU para apresentar manifestação.

A entidade afirmou que possui documentação referente às atividades mencionadas, incluindo atas, editais de convocação, contratos, notas de empenho e registros contábeis.

A Fiep também declarou que as deliberações estatutárias de agosto de 2026 seguiram o rito previsto e foram aprovadas pelo colegiado competente.

Segundo a Federação, os Fóruns Regionais da Indústria e a Expo+Indústria são iniciativas institucionais destinadas à escuta do setor produtivo paranaense e tradicionalmente recebem autoridades públicas e lideranças políticas de diferentes correntes, sem finalidade eleitoral.

A entidade também afirmou que os contratos de comunicação e estrutura seguem os procedimentos regulares de contratação e possuem documentação sobre objeto, execução e finalidade.

A Fiep disse ainda que considera inadequada a divulgação da denúncia antes de sua notificação formal e afirmou que apresentará os esclarecimentos e documentos ao TCU quando for oficialmente comunicada.