Mulher sobrevive a duas injeções letais no Tennessee e está em estado crítico
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Mulher sobrevive a duas injeções letais no Tennessee e está em estado crítico

02/10/2026 | 11:42 Por Redacao

Christa Pike, de 50 anos, recebeu duas doses de pentobarbital durante tentativa de execução; após o procedimento ser interrompido, ela foi levada a um hospital

Christa Pike, de 50 anos, condenada à morte no estado do Tennessee, nos Estados Unidos, sobreviveu a duas doses de uma injeção letal durante uma tentativa de execução realizada na noite de quarta-feira (30).

Segundo os advogados da detenta, Pike permanece viva e está em estado crítico, recebendo atendimento médico para salvar sua vida.

A execução ocorreu na Penitenciária de Segurança Máxima de Riverbend, mas foi interrompida depois que as duas doses previstas no protocolo não provocaram a morte. Pike foi posteriormente retirada do local em uma ambulância e levada para um hospital.

Segunda execução malsucedida no Tennessee em 2026

O caso de Pike representa a segunda tentativa de execução malsucedida no Tennessee neste ano.

Segundo informações divulgadas por testemunhas e pelos advogados, Pike permaneceu viva após receber as doses de pentobarbital. O Departamento de Correções do Tennessee afirmou que os funcionários seguiram o protocolo de execução estabelecido pelo estado.

O governador do Tennessee, Bill Lee, determinou uma investigação independente sobre o ocorrido e suspendeu as execuções previstas no estado até o fim de 2026.

Condenada por assassinato cometido quando tinha 18 anos

Pike foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, ocorrido em janeiro de 1995.

Na época do crime, Pike tinha 18 anos. Ela e seu namorado, Tadaryl Shipp, de 17 anos, além de uma terceira pessoa, atraíram Slemmer para uma área de mata em Knoxville.

Pike e Shipp confessaram o crime e foram condenados por homicídio em primeiro grau. Apenas Pike recebeu a pena de morte, pois Shipp tinha idade inferior à permitida para aplicação da pena capital.

Procedimento utilizou pentobarbital

Desde 2024, o Tennessee utiliza um protocolo de injeção letal com uma única substância, o pentobarbital, um barbitúrico.

Segundo documentos apresentados pelos advogados de Pike, funcionários penitenciários administraram duas doses do medicamento durante a tentativa de execução. A defesa afirma que o procedimento provocou sofrimento à detenta, mas não resultou em sua morte.

Testemunhas relataram que Pike permaneceu consciente durante parte do procedimento e apresentou sinais de vida mesmo após as doses.

Defesa pede mudança da pena

Após a tentativa malsucedida, os advogados de Pike voltaram a pedir que a pena de morte seja transformada em prisão perpétua.

A defesa classificou o procedimento como “tortura química” e afirmou que havia alertado anteriormente sobre possíveis complicações médicas durante a execução.

O governador Bill Lee havia rejeitado, na segunda-feira (28), o pedido de clemência para transformar a pena de Pike em prisão perpétua.

Após o fracasso da execução, porém, Lee determinou a suspensão das demais execuções previstas para este ano e uma revisão independente do procedimento.

“É uma tragédia, e é profundamente perturbador para mim que isso tenha ocorrido neste estado”, afirmou o governador.

Pike seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos

Christa Pike seria a primeira mulher executada pelo Tennessee em mais de dois séculos.

O caso também provocou manifestações internacionais. O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou que o episódio demonstra a necessidade de os Estados Unidos reconsiderarem a aplicação da pena de morte.

Enquanto Pike permanece hospitalizada em estado crítico, as autoridades do Tennessee deverão investigar as circunstâncias que levaram ao fracasso da execução.