Flávio Bolsonaro amplia apoios para o 2º turno; Lula mira abstenções e endurece críticas ao STF
Política

Flávio Bolsonaro amplia apoios para o 2º turno; Lula mira abstenções e endurece críticas ao STF

06/10/2026 | 09:04 Por Redacao

Após Flávio terminar o primeiro turno com 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula, campanhas reorganizam estratégias para as próximas três semanas.

Flávio busca consolidar apoio da direita e do centrão

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, iniciou a semana posterior ao primeiro turno buscando ampliar e consolidar apoios entre partidos da direita e do centrão. O senador terminou a votação de domingo (4) na liderança, com 47% dos votos válidos, enquanto o presidente Lula (PT) registrou 45%.

Flávio recebeu o apoio de Romeu Zema (Novo) e deve se reunir nesta terça-feira (6), em Goiânia, com Ronaldo Caiado (PSD). A expectativa é de adesão de Caiado, apesar de o PSD ter declarado neutralidade na disputa presidencial.

O ex-presidente Michel Temer (MDB) também divulgou um vídeo em apoio ao candidato do PL.

Em Brasília, Flávio recebeu o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que deverá participar da campanha e viajar pelo país. Tarcísio afirmou que trabalhará na organização dos eventos e na estruturação de São Paulo para receber o candidato durante o segundo turno.

União Brasil e PP discutem posicionamento

A federação formada por União Brasil e PP terá uma reunião nesta terça-feira, em Brasília, com deputados e senadores eleitos. As duas siglas sinalizaram apoio nacional a Flávio Bolsonaro, embora admitam que diretórios estaduais possam se associar à campanha de Lula.

O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), que não conseguiu a reeleição, defendeu apoio integral ao candidato do PL e afirmou ter votado em Flávio no primeiro turno.

A campanha também trabalha para obter o apoio do Republicanos e espera consolidar a adesão da legenda, presidida pelo deputado federal Marcos Pereira (SP), ainda nesta semana.

PL quer manter parlamentares e governadores mobilizados

A equipe de Flávio realizou reuniões nas áreas de comunicação e jurídica. Participaram das discussões o coordenador-geral da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), o marqueteiro Duda Lima e os conselheiros econômicos Daniella Marques e Adolfo Sachsida.

Marinho afirmou que a prioridade desta primeira semana é consolidar o apoio de partidos e candidatos que não estiveram com Flávio no primeiro turno.

Governadores eleitos pelo PL deverão viajar a Brasília para reuniões com o candidato. A estratégia também prevê manter a bancada eleita para o Congresso mobilizada durante as três semanas restantes de campanha.

Além de Tarcísio, nomes como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o vice Alfredo Gaspar (PL-RN) devem percorrer diferentes estados, em agendas independentes e separadas das viagens de Flávio.

Lula tenta atrair eleitores que não votaram

Do outro lado da disputa, Lula se reuniu nesta segunda-feira (5) com aliados para avaliar o desempenho no primeiro turno e definir mudanças na estratégia eleitoral.

Um dos principais objetivos definidos pela campanha é conquistar parte dos eleitores que não compareceram às urnas. A abstenção superou 33 milhões de pessoas.

Lula afirmou que a campanha precisa compreender os motivos que levaram milhões de brasileiros a não votar e trabalhar para alcançar esse eleitorado no segundo turno.

Entre aliados do presidente também existe preocupação com uma eventual migração de lideranças regionais, especialmente prefeitos ligados a partidos de centro que apoiaram Lula no primeiro turno, para a candidatura adversária.

Aliados avaliam erros da campanha petista

A reunião de Lula ocorreu em um hotel próximo à Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e contou com dezenas de aliados, incluindo candidatos eleitos e derrotados.

Participaram os governadores reeleitos Jerônimo Rodrigues (PT-BA) e Rafael Fonteles (PT-PI); os senadores eleitos Rui Costa (PT-BA) e Jaques Wagner (PT-BA); além de Fernando Haddad (PT-SP), Simone Tebet (PSB-SP) e Marina Silva (Rede-SP), que foram derrotados em suas respectivas disputas.

O encontro buscou identificar problemas ocorridos durante a campanha de primeiro turno e discutir possíveis correções.

Uma das estratégias debatidas é ampliar a rejeição eleitoral a Flávio Bolsonaro. A iniciativa já havia sido utilizada no primeiro turno, sem impedir que o candidato do PL terminasse à frente de Lula.

Lula endurece discurso contra o STF

Durante a reunião, Lula indicou que deverá intensificar suas críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante o segundo turno.

O presidente relacionou o desgaste da imagem da Corte às denúncias envolvendo o caso Banco Master e afirmou que sua candidatura estaria sofrendo reflexos da situação.

“Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessas denúncias”, declarou Lula.

O presidente também sinalizou que a campanha deverá adotar um tom mais duro contra Flávio Bolsonaro durante a reta final da eleição.

Comunicação da campanha recebe críticas internas

A estratégia de comunicação também entrou no centro das discussões entre aliados de Lula.

O publicitário Raul Rabelo e o ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social (Secom), estão entre os nomes que recebem cobranças internas. A avaliação de aliados é que a campanha demorou para assumir um tom mais intenso de disputa política.

A equipe de Lula teve diferentes núcleos de comunicação atuando ao longo da campanha. Também foram relatados problemas com a disponibilidade de materiais eleitorais, como santinhos e bandeiras, no início da propaganda.

O presidente do PT e coordenador da campanha, Edinho Silva, também é alvo de críticas internas. Aliados defendem maior integração entre as diferentes áreas da campanha.

Outra reivindicação é aumentar a participação de candidatos e articuladores que obtiveram bons resultados nos estados. Entre os nomes citados está o ex-ministro da Educação Camilo Santana.

Minas Gerais também entra na avaliação petista

Entre os problemas políticos apontados por integrantes do PT está a estratégia adotada para a disputa pelo governo de Minas Gerais.

Lula tentou durante meses viabilizar a candidatura do ex-senador Rodrigo Pacheco, que posteriormente assumiu como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Sem a candidatura, Patrus Ananias (PT) acabou sendo lançado para garantir um palanque presidencial no estado e foi derrotado no primeiro turno.

Aliados também demonstram preocupação de que o resultado da primeira votação reduza a mobilização dos apoiadores de Lula nos estados durante a campanha do segundo turno.

Janja e proibição das bets também são discutidas

A atuação da primeira-dama Janja Lula da Silva também passou a ser questionada por parte dos aliados. Durante a reta final da campanha, ela chamou Nikolas Ferreira, o candidato mais votado do país, de “piá de bosta”.

Outro ponto discutido internamente foi a proibição das apostas online. Parte dos aliados acredita que a medida prejudicou eleitoralmente Lula diante da reação de clubes de futebol, influenciadores digitais e empresas de mídia.

A decisão de proibir as bets foi tomada pelo próprio presidente.

O evento realizado em São Paulo para acompanhar a apuração do primeiro turno também passou a ser questionado internamente por aliados, diante do resultado obtido nas urnas.