Pais viajam mais de 500 km e encontram filha mantida em cárcere privado pelo namorado em Ponta Grossa
Ponta Grossa

Pais viajam mais de 500 km e encontram filha mantida em cárcere privado pelo namorado em Ponta Grossa

22/10/2026 | 13:29 Por Redacao

Atualizações do caso

Pais desconfiaram de mensagens enviadas pela jovem de 19 anos e foram até o Paraná. Vítima apresentava diversas lesões pelo corpo e relatou agressões e ameaças de morte; suspeito foi preso em flagrante.

Um jovem de 19 anos foi preso em flagrante na noite de quarta-feira (21), em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, suspeito de agredir a namorada, também de 19 anos, e mantê-la em cárcere privado por aproximadamente duas semanas.

O caso foi descoberto depois que os pais da vítima, moradores da cidade de São Paulo, desconfiaram da maneira como a filha se comunicava por mensagens e ligações. Diante das suspeitas, o casal percorreu mais de 500 quilômetros até o município paranaense para verificar a situação pessoalmente.

Ao chegar à cidade e identificar o endereço do namorado da jovem, os pais acionaram uma equipe da Guarda Civil Municipal (GCM) que realizava patrulhamento. Os agentes foram até o apartamento e encontraram a mulher impedida de sair do local.

Mensagens levantaram suspeitas da família

Segundo a Polícia Civil, os pais estranharam o comportamento da filha durante as conversas por telefone. As mensagens eram evasivas, traziam poucos detalhes e, durante as chamadas de vídeo, a jovem não mostrava o rosto.

A situação levou os familiares a suspeitar que outra pessoa poderia estar enviando as respostas ou orientando o que ela deveria dizer.

A decisão de viajar até Ponta Grossa permitiu que os pais procurassem ajuda das autoridades e acompanhassem a verificação do endereço onde a filha estava.

Vítima relatou agressões físicas e ameaças

De acordo com a Guarda Civil Municipal, a jovem apresentava hematomas no rosto, na cabeça e nos braços, além de sinais de intenso abalo emocional.

Após receber acolhimento da equipe, ela relatou que estava impedida de deixar a residência havia cerca de duas semanas. Durante esse período, teria sofrido agressões repetidas, incluindo socos, tapas, chutes e golpes com um cabo de vassoura.

A vítima também afirmou que foi enforcada com as mãos e perdeu a consciência após golpes na cabeça.

Ainda conforme o relato apresentado às autoridades, o namorado fazia ameaças de morte caso ela tentasse entrar em contato com os familiares.

Suspeito teria quebrado celular da namorada

A investigação aponta que o suspeito teria danificado o celular da vítima e utilizado o chip telefônico dela em outro aparelho para se passar pela jovem durante as conversas com a família.

Segundo a delegada Claudia Kruger, a mulher contou à Polícia Civil que mantinha um relacionamento com o suspeito havia alguns meses e que passou a ser mantida em cárcere privado após uma agressão motivada por uma crise de ciúmes.

Conforme a delegada, o homem dizia que não poderia permitir que a namorada saísse porque as lesões poderiam ser percebidas por outras pessoas e resultar em uma denúncia contra ele.

A vítima teria sido impedida de manter contato com familiares e outras pessoas, utilizando o celular do próprio suspeito para responder às mensagens recebidas.

Homem foi preso em flagrante

Após o atendimento da ocorrência, o jovem foi preso em flagrante e autuado pelos crimes de cárcere privado e lesão corporal contra mulher.

A Polícia Civil continua investigando o caso para esclarecer todas as circunstâncias e reunir informações sobre as agressões e o período em que a vítima teria sido impedida de deixar o apartamento.

O nome do suspeito não foi divulgado pelas autoridades, com o objetivo de preservar a identidade da vítima.

Como denunciar casos de violência

Situações de violência contra mulheres e outras ocorrências podem ser comunicadas às autoridades pelos seguintes canais:

  • 197: Polícia Civil do Paraná, para denúncias e informações sobre crimes.
  • 181: Disque-Denúncia, com possibilidade de denúncia anônima.
  • 190: Polícia Militar, em situações de emergência, quando o crime estiver acontecendo ou houver alguém em perigo imediato.