Pecuarista suspeito de matar jovem de 24 anos em SP é encontrado morto; entenda o caso
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Pecuarista suspeito de matar jovem de 24 anos em SP é encontrado morto; entenda o caso

03/11/2026 | 10:27 Por Redacao

João Roberto Bolelli, de 62 anos, foi localizado em uma propriedade rural de Rifaina. Ele era investigado pelo feminicídio de Priscila Lacerda Custodio, assassinada ao tentar encerrar um relacionamento.

O pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, principal suspeito do assassinato da empresária Priscila Lacerda Custodio, de 24 anos, foi encontrado morto na manhã de segunda-feira (2 de novembro), em uma propriedade rural de Rifaina, no interior de São Paulo.

O corpo foi localizado pelo genro do pecuarista, ao pé de um morro na fazenda da família, próximo ao ponto onde uma caminhonete havia sido encontrada abandonada na semana anterior.

Bolelli era investigado pela morte de Priscila, baleada em 27 de outubro de 2026, no quilômetro 463 da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), quando tentava devolver um veículo e encerrar o relacionamento que mantinha com ele.

A Polícia Civil investiga o assassinato como feminicídio. Com a morte do suspeito, o caso deverá passar pelos procedimentos legais necessários para o encerramento da investigação.

Pecuarista foi encontrado morto após fugir do local do crime

Após o assassinato da jovem, João Roberto Bolelli deixou o local utilizando a caminhonete que Priscila havia ido devolver.

Na quarta-feira (28), a Justiça de Pedregulho decretou a prisão preventiva do pecuarista, que passou a ser procurado pelas autoridades.

Na manhã de segunda-feira (2), entretanto, ele foi encontrado morto em uma propriedade rural de Rifaina.

A Polícia Militar foi acionada e preservou a área até a chegada da equipe responsável pela perícia.

A advogada da família levantou a hipótese de que Bolelli tenha morrido no mesmo dia do assassinato de Priscila, possivelmente após sofrer um infarto.

Até a última atualização das informações, a causa da morte não havia sido oficialmente divulgada.

Jovem percorreu 100 quilômetros para devolver caminhonete

Priscila Lacerda Custodio morava em Perdizes, Minas Gerais, e mantinha um relacionamento casual com o pecuarista desde julho.

Segundo as investigações, a jovem já havia tentado encerrar o envolvimento, mas Bolelli não aceitava o término.

No dia 27 de outubro, ela viajou aproximadamente 100 quilômetros até Rifaina para devolver uma caminhonete pertencente ao suspeito.

Com medo das ameaças que vinha recebendo, Priscila pediu que o irmão, Geovane Santana, a acompanhasse.

Uma amiga também participou da viagem, seguindo em outro veículo para garantir o retorno do grupo a Minas Gerais.

O encontro aconteceu na entrada de uma propriedade rural, às margens da Rodovia Cândido Portinari.

Discussão por celular terminou com jovem baleada

Segundo os depoimentos das testemunhas, Bolelli chegou ao local em um carro branco, acompanhado de outras pessoas.

Durante a conversa, o pecuarista exigiu que Priscila devolvesse um aparelho celular que havia entregado a ela.

A jovem respondeu que devolveria o telefone somente depois de receber o próprio aparelho de volta, o que teria sido recusado pelo suspeito.

A discussão continuou e, conforme os relatos, Bolelli sacou uma arma de fogo e atirou contra Priscila, atingindo-a no abdômen.

Em seguida, ele teria apontado o revólver na direção de Geovane, que correu para se proteger.

A empresária foi socorrida e levada a uma unidade de saúde de Rifaina, mas não resistiu ao ferimento.

Ao relatar o assassinato da irmã, Geovane descreveu a rapidez da ação.

“Foi muito rápido, em uma fração de segundos”, afirmou.

Priscila teria sido agredida dias antes do assassinato

Uma amiga da vítima relatou à Polícia Civil que Priscila havia sofrido agressões físicas na sexta-feira (23), quatro dias antes de morrer.

Segundo a testemunha, a jovem apresentava lesões visíveis pelo corpo e havia contado que estava sendo ameaçada pelo pecuarista.

A amiga afirmou ainda que Bolelli teria ameaçado atirar contra Priscila e contratar pessoas para vigiá-la em Minas Gerais.

O estudante Samuel Ramos, de 26 anos, namorado da empresária, também prestou depoimento.

Ele relatou que Bolelli fazia ameaças frequentes e teria contratado um detetive particular para monitorar a rotina de Priscila.

Conforme as informações reunidas pelos investigadores, o ciúme e a resistência do suspeito ao término do relacionamento estão entre os elementos considerados na apuração da motivação do crime.

Suspeito já havia sido condenado por descumprir medida protetiva

O histórico judicial de João Roberto Bolelli inclui registros anteriores relacionados à violência contra mulheres.

Em junho de 2018, o pecuarista foi preso preventivamente após descumprir uma medida protetiva concedida a uma ex-companheira.

Ele permaneceu detido por seis dias e foi liberado mediante pagamento de fiança.

Em dezembro de 2021, a Justiça de Franca condenou Bolelli a três meses e 15 dias de detenção em regime aberto, também por descumprimento de medida protetiva.

A decisão foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em 2022.

O pecuarista também possuía uma condenação por contravenção penal de vias de fato, relacionada a agressões cometidas em 2017.

Pecuarista enfrentava disputa por herança havia pelo menos 15 anos

Além dos antecedentes judiciais, Bolelli estava envolvido em uma disputa familiar por uma herança deixada pelo pai.

O processo, que se arrastava havia pelo menos 15 anos, envolvia bens destinados ao pecuarista e a uma de suas irmãs.

Entre as propriedades discutidas judicialmente estava a fazenda em Rifaina onde ocorreu o encontro que terminou com a morte de Priscila.

Bolelli também era conhecido por sua atuação na pecuária leiteira.

Em 2023, uma vaca da raça holandesa pertencente a ele alcançou uma produção de quase 150 litros de leite em um único dia.

Quem era Priscila Lacerda Custodio?

Priscila tinha 24 anos, era natural de Perdizes, Minas Gerais, e trabalhava como empresária no setor de marketing digital.

Ela começou a trabalhar aos 16 anos como bartender e, posteriormente, abriu o próprio negócio, passando a produzir conteúdos e realizar coberturas de eventos na região.

O irmão, Geovane Santana, destacou a independência da jovem e sua dedicação ao trabalho.

“Nunca precisou de nada de ninguém”, declarou.

Priscila também contribuía para o sustento da família.

Desde junho, ela namorava o estudante Samuel Ramos, de 26 anos. Os dois estavam morando juntos havia aproximadamente um mês e planejavam se mudar para Uberlândia, em Minas Gerais.

A jovem também tinha planos de crescimento profissional e de conquistar o próprio apartamento.

O que acontece com a investigação após a morte do suspeito?

O inquérito sobre o assassinato de Priscila foi instaurado pela Polícia Civil e conduzido pelo delegado Fábio Branquinho.

Durante a investigação, testemunhas foram ouvidas, o local do crime passou por perícia e o celular da vítima foi apreendido para análise.

A principal linha de investigação aponta para feminicídio, considerando os relatos de ameaças, agressões anteriores e inconformismo do suspeito com o encerramento do relacionamento.

Com a confirmação da morte de João Roberto Bolelli, a Polícia Civil e o Ministério Público deverão adotar os procedimentos necessários para a conclusão do caso.

Pela legislação penal brasileira, a morte do investigado extingue sua punibilidade. A formalização dessa situação depende da documentação pertinente, incluindo a certidão de óbito e os laudos periciais.

A morte do suspeito não altera o fato de que as circunstâncias do assassinato de Priscila precisam ser devidamente esclarecidas e documentadas pelas autoridades.