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Agricultura incentiva uso de áreas para cultivo de trigo no inverno

lavoua de trigo. Tibagi. Foto:Jaelson Lucas / AEN

 

A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater emitiram uma Nota Técnica incentivando o uso de áreas para o plantio de trigo no inverno. A orientação inclui as cultivares mais adequadas e visa garantir renda ao produtor caso haja impossibilidade de semeadura do milho segunda safra.

Os técnicos registram que o Brasil colhe cerca de 6,2 milhões de toneladas de trigo anualmente. A liderança é paranaense, responsável pela metade da produção. No entanto, o consumo é de 11,8 milhões de toneladas. Em razão disso, somente no ano passado, o País importou 6,8 milhões de toneladas, “acarretando o envio de recursos financeiros escassos para o exterior, os quais deixam de ser utilizados no Brasil e na cadeia produtiva deste importante cereal de inverno.”

O Paraná cultiva cerca de 5,5 milhões de hectares com soja. No inverno, o milho segunda safra ocupa 2,28 milhões hectares dessa área, enquanto o trigo fica restrito a 1,12 milhão de hectares. “Fica evidente que a área de trigo ou de outros cereais de inverno, como a aveia e o triticale, poderia ser significativamente expandida em detrimento do pousio”, afirma a Nota Técnica.

RENTABILIDADE – Ela registra, ainda, os problemas climáticos que atrasaram o desenvolvimento da soja e sua colheita. Com isso, também a semeadura do milho safrinha no período mais propício foi afetada. “Uma opção para os agricultores que estão enfrentando o problema da semeadura do milho segunda safra, dentro do prazo estabelecido pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), é o cultivo de cereais de inverno”, sugerem os técnicos.

Nesse sentido, o trigo é a principal alternativa, encaixando perfeitamente no período de abril a outubro, dependendo da região, em sucessão à soja. Além disso, também promove a rotação de culturas e auxilia na proteção contra erosão, retém a umidade e reduz a temperatura do solo, favorecendo processos biológicos e químicos.

“Some-se a isso a possibilidade de um retorno financeiro de exceção, uma vez que desde 2007 a cultura do trigo não apresentava uma rentabilidade tão alta”, acrescenta o documento. De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, em novembro de 2020, a rentabilidade chegou a 49%.

AEN

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