No interior de Castro, onde as estradas de chão atravessam lavouras e pequenas capelas guardam histórias de fé silenciosa, a vocação de Jefferson Davi Sviercoski Sanchez começou a se insinuar muito antes de ganhar nome. Ele cresceu na comunidade do Tronco, participando da catequese, ajudando nas celebrações, ouvindo os conselhos dos mais velhos e observando com admiração a vida simples da Igreja do interior.
Neste domingo (14), às 15h, a Igreja Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Castro, acolherá a ordenação presbiteral de Jefferson, em celebração presidida pelo bispo diocesano dom Bruno Elizeu Versari. A cidade, que acompanhou sua formação desde a adolescência, agora se prepara para celebrá-lo como sacerdote.
O início de um chamado que insistiu
O sacerdócio ainda não parecia uma possibilidade real. A primeira provocação veio quando padre Luís Mirkoski, então pároco em Castro, olhou para o jovem Jefferson e perguntou com simplicidade: “Você nunca pensou em ser padre?” A pergunta foi recebida com leveza, quase como brincadeira. Mas, como Jefferson perceberia mais tarde, certos chamados começam como sussurros antes de se tornarem voz.
Ainda na juventude, Jefferson mudou-se para Carambeí, onde passou a participar da Paróquia Imaculada Conceição com entusiasmo e dedicação. Foi ali que a vida comunitária se intensificou e começou a despertar em seu coração inquietações que até então pareciam distantes.
A cena decisiva aconteceu anos depois, durante um retiro de jovens. Na fila para a confissão, ouviu novamente a pergunta que insistia em retornar. Aquilo o desestabilizou. Procurou o vigário de Carambeí, ainda nervoso, para partilhar o que sentia. Ouviu então uma resposta direta, que se tornou parte da sua história vocacional: se quisesse, o padre ligaria para o reitor do seminário naquele instante. Jefferson recuou, assustado, e recebeu o comentário bem-humorado, e preciso, que nunca esqueceu: “Você é um medroso.”
O medo, porém, transformou-se em coragem. A inquietação virou discernimento. Após encontros vocacionais e um processo de escuta interior, Jefferson ingressou no seminário em 2016.
A força da amizade e do caminho partilhado
Foi nos encontros vocacionais que ele conheceu o neo-sacerdote Iuri Nack Buss, com quem desenvolveria uma amizade sólida ao longo de toda a formação. “Somos bem diferentes: eu falo demais e ele é bem reservado”, brinca. As diferenças, no entanto, foram se tornando complemento, apoio e abrigo em fases difíceis.
Durante o propedêutico, filosofia e teologia, os dois partilharam estudos, dúvidas, crises e alegrias. Com outros seminaristas que entraram e saíram ao longo da formação, Jefferson aprendeu que a vocação amadurece também na fraternidade. “Sempre tivemos um ao outro pra conversar, e isso foi essencial”, conta.
O lema: “Eu te vi”
Para a ordenação, Jefferson escolheu o versículo “Eu te vi” (Jo 1,48), para expressar um olhar que o acompanha desde sempre. O trecho faz parte do encontro de Jesus com Natanael, quando Cristo revela ter visto o discípulo antes mesmo de chamá-lo. Jefferson se reconhece nessa passagem. “O olhar de Jesus sempre me acompanhou: na infância, na juventude, no seminário. Minha busca foi corresponder a esse olhar”, afirma.
O lema é, para ele, mais do que uma frase: é a síntese de uma experiência de amor que o precede e o sustenta. “Agora quero olhar nos olhos d’Ele também e dizer: eu também estou vendo. Eu também quero dizer sim.”
A comunidade que prepara o coração
Na semana que antecederam a ordenação, a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro vive intensamente o desejo de despertar novas vocações. Nos dias 10, 11 e 12 de dezembro, missionários, religiosas e seminaristas visitaram comunidades da paróquia, levando oração e testemunho vocacional.
Na véspera da ordenação, Jefferson fará um passeio ciclístico vocacional, reunindo jovens para um momento de integração e espiritualidade, seguido por uma noite vocacional, com o desejo claro de “colocar a mesma pulguinha atrás da orelha” que um dia o alcançou.
“Rezem por nós”: o pedido que atravessa a missão
Às portas do sacerdócio, Jefferson sabe que a caminhada que se abre é exigente e bela. Por isso, faz um pedido simples e sincero à Igreja que o viu crescer: “Peço que rezem por nós e por todas as vocações, porque a oração sustenta a missão.” Com o coração que se deixa moldar pelo olhar de Cristo, ele segue para o altar onde entregará sua vida ao serviço da Igreja.