Paralisação começou no dia 10 de setembro e segue por tempo indeterminado. Funcionários paranaenses rejeitaram a última proposta da Caixa e uma nova rodada de negociação está prevista para esta quarta-feira (16).
A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal continua no Paraná nesta terça-feira (15), sem prazo definido para terminar. A paralisação nacional começou no dia 10 de setembro e afeta o atendimento presencial em agências do banco.
No Paraná, a decisão pela continuidade do movimento foi tomada após os funcionários rejeitarem a última proposta apresentada pela Caixa. Nas bases representadas pela Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Estado do Paraná (FEEB-PR), 63,17% votaram contra a proposta, enquanto 35,81% foram favoráveis e 1,02% se abstiveram.
A votação envolveu trabalhadores das bases dos sindicatos de Ponta Grossa, Cascavel, Foz do Iguaçu, Paranaguá, Maringá, Telêmaco Borba, Cianorte, Goioerê, Pato Branco e União da Vitória.
Agora, a expectativa está voltada para uma nova rodada de negociação entre a Caixa e os representantes dos empregados, prevista para quarta-feira (16).
Saúde Caixa está no centro do impasse
Um dos principais pontos de divergência entre os funcionários e a direção do banco envolve o Saúde Caixa, plano de saúde destinado aos empregados.
Os trabalhadores contestam mudanças no modelo de custeio e defendem alterações nas condições apresentadas pela instituição.
Entre as reivindicações está o fim do teto de participação da Caixa no pagamento do plano, atualmente limitado a 6,5% da folha. O movimento sindical defende a retomada de um modelo no qual a Caixa arque com 70% das despesas e os funcionários com 30%.
A proposta apresentada pelo banco previa, entre outros pontos, ampliar a participação da Caixa no custeio do plano de 6,5% para 8%, além de mudanças que começariam a ser aplicadas em 2027.
Mesmo com alterações apresentadas durante as negociações, a proposta acabou rejeitada pelos trabalhadores.
Ponta Grossa está entre as bases que participaram da votação
A paralisação também envolve trabalhadores representados pelo Sindicato dos Bancários de Ponta Grossa, uma das dez entidades filiadas à FEEB-PR que participaram da assembleia realizada na sexta-feira (11).
A votação ocorreu de maneira virtual, entre 16h e 22h, e definiu pela manutenção da greve nas bases representadas pela Federação.
O movimento não está restrito aos Campos Gerais. Diferentes regiões paranaenses participam da mobilização, incluindo cidades do Oeste, Sudoeste, Norte, Noroeste, Litoral e Centro-Sul do Estado.
Caixa desistiu de levar greve ao TST
A tensão entre a instituição e os funcionários aumentou depois da rejeição da última proposta.
Inicialmente, a Caixa havia informado que poderia ingressar com dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST) caso os empregados não aprovassem os termos apresentados.
Após a mobilização da categoria, porém, o banco desistiu da iniciativa e sinalizou a reabertura das negociações.
A Caixa também suspendeu medidas administrativas que haviam sido anunciadas depois da rejeição da proposta.
Entre as consequências anteriormente comunicadas estavam questões relacionadas aos reajustes de salários e benefícios, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), auxílio-refeição e auxílio-cesta-alimentação.
Com a retomada das tratativas, essas medidas foram suspensas enquanto as negociações estiverem em andamento.
Nova negociação pode definir futuro da greve
A próxima rodada de negociação ganhou importância porque poderá determinar os rumos da paralisação.
Caixa e representantes dos trabalhadores devem voltar à mesa nesta quarta-feira (16). Mesmo com a retomada do diálogo, a greve permanece ativa e não há, até o momento, uma data definida para seu encerramento.
Um eventual acordo ainda precisará passar pela avaliação dos trabalhadores.
A greve somente poderá ser encerrada após uma nova decisão da categoria nas assembleias.
Clientes podem encontrar agências fechadas
Para a população, o principal reflexo da paralisação está no atendimento presencial.
Desde o início da greve, unidades da Caixa atingidas pelo movimento podem permanecer fechadas para serviços realizados por funcionários que aderiram à paralisação.
Em Curitiba, por exemplo, clientes encontraram agências com as portas fechadas e avisos sobre a greve no primeiro dia do movimento. Caixas eletrônicos continuaram disponíveis.
A paralisação também pode afetar demandas administrativas que dependem da participação de funcionários da instituição, incluindo determinados procedimentos relacionados a financiamentos.
Por isso, clientes que precisam utilizar serviços da Caixa devem priorizar, quando possível, os canais digitais, aplicativo, Internet Banking e caixas eletrônicos enquanto durar a mobilização.
Outros bancários trabalham normalmente
A situação dos funcionários da Caixa é diferente da maior parte da categoria bancária.
Os trabalhadores dos bancos privados chegaram a um acordo e não participam da greve da Caixa. O reajuste negociado para a categoria prevê a reposição da inflação pelo INPC acrescida de 0,6% de aumento real, com reflexos também em benefícios.
No caso da Caixa, porém, as questões específicas relacionadas principalmente ao plano de saúde impediram um entendimento e levaram à continuidade da paralisação.
Com isso, a atenção dos bancários paranaenses fica concentrada na nova negociação. Até que exista uma proposta aceita pelos trabalhadores, a greve da Caixa continua por tempo indeterminado no Paraná e no restante do país.