Procedimento realizado pelo Complexo Hospital de Clínicas da UFPR pode melhorar sintomas motores, reduzir medicamentos e ampliar a autonomia dos pacientes
O Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), vinculado à HU Brasil, realizou pela primeira vez uma cirurgia de estimulação cerebral profunda (DBS). O procedimento foi realizado na última segunda-feira (28) e é indicado para pacientes com Parkinson que estão em uma fase específica da doença.
A técnica é destinada a pacientes que ainda apresentam resposta aos medicamentos, mas passaram a enfrentar oscilações importantes dos sintomas ao longo do dia, movimentos involuntários ou tremores de difícil controle.
Segundo o neurocirurgião Leonardo Frizon, o procedimento pode ser indicado nesses casos para auxiliar no controle dos sintomas.
Estimulador funciona como um “marcapasso” cerebral
De acordo com Frizon, o equipamento implantado durante a cirurgia funciona de maneira semelhante a um “marcapasso”, estimulando determinadas regiões do cérebro para ajudar no controle dos sintomas da doença.
Após a alta hospitalar, o paciente retorna aproximadamente 30 dias depois da cirurgia para que o aparelho seja ligado. A partir desse momento, os profissionais começam a avaliar os efeitos da estimulação.
A cirurgia não cura o Parkinson, mas pode contribuir para uma melhora significativa dos sintomas motores, além de reduzir a necessidade de medicamentos e proporcionar ganhos de qualidade de vida e autonomia.
Ambulatório foi criado em julho de 2026
O ambulatório de Neurocirurgia Funcional do Complexo do Hospital de Clínicas da UFPR foi criado em julho de 2026 e recebe pacientes encaminhados internamente pelo Serviço de Neurologia.
Além da estimulação cerebral profunda para pacientes com Parkinson, o serviço também deverá realizar procedimentos destinados a outros distúrbios do movimento, como distonias, caracterizadas por contrações involuntárias, e tremor essencial.
Outra técnica prevista é a rizotomia dorsal seletiva, um procedimento minimamente invasivo voltado a pacientes com paralisia cerebral e espasticidade, condição marcada por rigidez involuntária.
O ambulatório também realiza procedimentos e neurocirurgias voltados ao tratamento da dor.
Avaliação envolve equipe multidisciplinar
A indicação dos procedimentos é analisada por uma equipe multidisciplinar formada por neurologista, neuropsicólogo e neurocirurgião.
Segundo Leonardo Frizon, coordenador do ambulatório, os profissionais avaliam conjuntamente cada caso antes de definir se o paciente é candidato à cirurgia.
A previsão do serviço é realizar uma cirurgia de estimulação cerebral profunda por mês, conforme houver pacientes considerados aptos para o procedimento.