Índice chegou a cair 17,34% nesta segunda-feira (26), provocando o acionamento do circuit breaker. Investidores demonstram preocupação com a política fiscal e o cenário econômico a partir de 2027.
A Bolsa de Valores brasileira registrou uma forte queda nesta segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Ibovespa, principal índice da B3, chegou a recuar 17,34%, provocando uma interrupção das negociações.
Por volta das 10h, a B3 acionou o mecanismo conhecido como circuit breaker, após o índice atingir queda de 10% em relação ao fechamento anterior. As operações no mercado à vista foram suspensas por 30 minutos.
Na mínima do dia até aquele momento, o Ibovespa atingiu 169.516,43 pontos, depois de alcançar máxima de 205.088,74 pontos.
Às 11h48, o índice registrava queda de 16,15%, aos 171.931,23 pontos.
Mercado reage ao resultado das eleições
A movimentação ocorreu após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).
Lula recebeu 51,79% dos votos válidos, aproximadamente 64,26 milhões, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 48,21%, cerca de 59,83 milhões. A diferença foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos.
Segundo analistas do mercado financeiro, parte dos investidores havia ajustado suas posições considerando uma possível vitória de Flávio, associada à expectativa de uma política fiscal menos expansionista.
Com a confirmação da reeleição de Lula, houve uma reversão dessas posições, aumentando a pressão sobre ações, câmbio e juros futuros.
Petrobras e Banco do Brasil registram fortes perdas
Entre os papéis mais afetados estavam ações de empresas ligadas ao governo federal.
De acordo com Luis Ferreira, diretor de investimentos para as Américas do EFG, as ações preferenciais da Petrobras chegaram a recuar 12%, enquanto as ordinárias caíram 10%.
O Banco do Brasil registrou desvalorização de aproximadamente 31%.
Ferreira avalia que o movimento representa principalmente um ajuste das expectativas dos investidores, após a valorização dos ativos brasileiros observada desde agosto.
Preocupação com contas públicas pressiona investidores
Para Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, a reação está relacionada à mudança nas expectativas eleitorais e às dúvidas sobre a condução da economia.
O principal ponto de atenção é a situação das contas públicas brasileiras a partir de 2027.
Já Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, afirma que o mercado considera a possibilidade de manutenção de gastos elevados, crédito subsidiado e crescimento da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
Essas preocupações também pressionam as taxas de juros futuros.
O que é o circuit breaker?
O circuit breaker é um mecanismo de segurança da Bolsa que interrompe temporariamente as negociações durante quedas acentuadas do mercado.
Pelas regras da B3:
- Queda de 10%: suspensão das negociações por 30 minutos.
- Queda de 15%: nova paralisação, com duração de uma hora.
- Queda de 20%: possibilidade de suspensão por prazo indeterminado.
O mecanismo não era acionado desde março de 2020, durante a crise provocada pela pandemia de covid-19.
Naquele mês, houve seis interrupções. Desde sua criação, em 1997, o sistema foi acionado 24 vezes, incluindo a ocorrência desta segunda-feira.
Segundo o levantamento apresentado, esta foi a primeira vez que uma eleição presidencial provocou a interrupção das negociações na Bolsa brasileira.
Ibovespa Futuro chegou a cair quase 20%
O mercado futuro também apresentou perdas expressivas.
O Ibovespa Futuro abriu em queda próxima de 15%, chegando a recuar 14,84%, aos 177.215 pontos, quando as negociações foram interrompidas.
Após a reabertura, a desvalorização atingiu 19,84%, aos 166.800 pontos.
A B3 precisou ampliar duas vezes os limites de oscilação dos ativos.
Entre as 76 ações acompanhadas no levantamento, apenas seis registravam valorização. A Suzano liderava os ganhos, com alta de 8,57%, enquanto a Vamos apresentava a maior queda, de 56,94%.
Investidores acompanham juros nos Estados Unidos
Além dos desdobramentos da eleição brasileira, o mercado financeiro acompanha nesta semana a decisão sobre as taxas de juros do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.
A divulgação de balanços empresariais no Brasil e no exterior também deverá influenciar o comportamento dos investidores.
Os percentuais apresentados refletem as negociações da manhã desta segunda-feira e não representam o fechamento do pregão.