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Comissão Especial notifica municípios que teriam vacinado “pessoas mortas”

Foto: Reprodução

 

Quase 100 casos estão sendo investigados pelos deputados.

 

Os deputados que integram a Comissão Especial que apura possíveis irregularidades na vacinação contra a Covid-19 estão notificando dezenas de cidades do Paraná para que apresentem as justificativas para os casos da aplicação de vacinas com a utilização de CPF de pessoas mortas, conforme denúncias recebidas e também apresentadas no relatório do Ministério Público enviado à Comissão.

São 99 casos em 39 cidades, sendo que alguns os deputados já receberam as explicações dos municípios, como o caso de Paranaguá, que recebeu uma visita dos parlamentares, e foi declarado que ocorreram erros de digitação.

“Esses casos dos mortos são emblemáticos pela fraude, mas há várias outras situações chegando a quase mil denúncias de pessoas que se vacinaram fora do Plano Nacional de Imunização”, afirmou o deputado Delegado Francischini, presidente da Comissão.

O grupo de trabalho também esteve em outras cidades do Paraná, como Rio Branco do Sul, onde apurou o caso uma família proprietária de um consultório odontológico que teria furado a fila da vacina e também de um adolescente que também teria se vacinado irregularmente; Apucarana, onde ouviu uma mulher acusada de desviar doses da vacina para serem aplicadas em pessoas fora do grupo prioritário; Umuarama, Lapa, São José dos Pinhais e Araucária.

A Comissão Especial da Assembleia Legislativa é composta, além do deputado Francischini, pelos deputados: Hussein Bakri (PSD), Delegado Jacovós (PL), Arilson Chiorato (PT), Tiago Amaral (PSB) e Michele Caputo (PSDB).

Cautela – Durante a sessão plenária desta terça-feira (8) os deputados repercutiram esses casos e pediram cautela na divulgação dos possíveis casos. O presidente da Assembleia, deputado Ademar Traiano (PSDB), disse que é preciso ter cautela nessas apurações para não publicar nomes de cidades e de gestores públicos em casos que depois pode ser verificado que não foi cometido nenhum ato ilícito.

“O fato que me preocupa é a exposição do prefeito e do município. A gente sabe que eles estão fazendo o possível e o impossível para superar esse momento de crise e às vezes uma notícia publicada como se fosse atitude da administração pode comprometer a imagem do gestor e do município. Faço um apelo, com respeito ao trabalho que a Comissão vem fazendo, para que tomemos essa cautela. Senão a imagem do próprio Parlamento fica ruim porque as vezes não procede a informação. Coisas negativas nesse período acontecem de toda ordem e temos que ter cuidado para não envolver o nome do gestor”.

O deputado Delegado Jacovós (PL), vice-presidente da Comissão Especial, disse que há mais de quinze dias a Comissão estava de posse da relação das 39 cidades e tomou a precaução de não divulgar nomes de gestores e nem cidades. “Só que chegou num ponto que a imprensa acaba descobrindo. Não é porque em determinada cidade foi lá um estelionatário e tomou a vacina no lugar de outros q a administração da cidade está envolvida em alguma coisa’, disse. “Não é porque se divulgou o nome da cidade que alguém ligado à administração estaria envolvido em algo. Ninguém está fazendo ilação envolvendo nome de nenhum administrador”, completou

Para o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB), primeiro secretário da Assembleia, a cautela e os cuidados na divulgação de dados devem predominar. “Tem prefeitos reclamando que foi divulgado material da Comissão com a lista das cidades que teriam vacinados pessoas mortas. Casa situação tem uma questão pontual, como homônimo, estava errado o cartão do SUS, tem de tudo”, elencou. “Cada cidade tem a oposição que ‘printa’ aquilo e coloca nas redes sociais e transforma o secretário de Saúde e o prefeito em malfeitores. A Comissão precisa fazer um trabalho grande de acompanhamento e ter transparência, mas temos que tomar cuidado de averiguar, investigar antes de divulgar. Precisamos ter cuidado na divulgação de dados que as vezes só servem para fazer confusão”, concluiu.

Da mesma forma disse o deputado Michele Caputo (PSDB). Para ele é preciso apurar “bem os fatos, que separe um erro de forma de um erro claro de direito; separe a ação individual equivocada, errada e as vezes criminosa de um determinado servidor ou situação de todo um processo de uma estrutura de uma Secretaria ou prefeitura”.

 

 

ALEP
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