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Brasil chega a 20,3 milhões de endividados de alto risco, aponta Banco Central; alta é de 75%

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Relatório divulgado nesta terça-feira (27) revela que o comprometimento da renda das famílias atingiu o maior nível em 21 anos. Consumidores de baixa renda estão entre os mais afetados.

O número de brasileiros classificados como endividados de alto risco chegou a 20,3 milhões em junho de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (27).

O total representa um crescimento de 75% em comparação com junho de 2021 e corresponde a aproximadamente 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional.

Os dados constam do Relatório de Estabilidade Financeira, referente ao primeiro semestre de 2026, que também aponta um cenário preocupante para o orçamento das famílias brasileiras.

De acordo com a autoridade monetária, o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas alcançou o nível mais elevado dos últimos 21 anos, com impacto especialmente intenso entre os consumidores de menor renda.

O que significa estar endividado de alto risco?

O Banco Central utiliza quatro indicadores para identificar pessoas em situação de maior vulnerabilidade financeira.

Para ser classificado como endividado de risco, o consumidor precisa apresentar pelo menos dois desses critérios simultaneamente.

São eles:

  • Comprometimento excessivo da renda: utilizar mais de 50% da renda para pagar dívidas;
  • Renda insuficiente: ficar com rendimento inferior à linha da pobreza, estimada entre R$ 500 e R$ 600, após o pagamento das dívidas;
  • Inadimplência: apresentar atraso no pagamento de obrigações financeiras;
  • Multimodalidade: possuir financiamentos em diferentes modalidades de crédito.

A classificação considera, portanto, não apenas a existência de dívidas, mas também a capacidade do consumidor de manter seus compromissos financeiros sem comprometer suas necessidades básicas.

Endividamento de risco cresceu 75% em cinco anos

O levantamento revela uma expansão expressiva da quantidade de pessoas em situação financeira vulnerável.

Em junho de 2026, 20,3 milhões de consumidores se enquadravam nos critérios de alto risco definidos pelo Banco Central.

Na comparação com o mesmo mês de 2021, o aumento foi de 75%.

A proporção atual corresponde a 17 em cada 100 devedores do Sistema Financeiro Nacional.

O avanço indica maior pressão das dívidas sobre o orçamento de parte significativa das famílias brasileiras.

Cartão de crédito e empréstimos mais caros pressionam famílias

O relatório destaca que as famílias passaram a utilizar parte do crescimento da renda disponível para contratar novas operações de crédito.

Entretanto, a expansão ocorreu especialmente em modalidades com custos mais elevados.

“As famílias utilizaram o aumento da renda disponível para ampliar seu endividamento, com maior demanda por modalidades mais onerosas, como cartão de crédito e crédito não consignado”, aponta o Banco Central.

O uso dessas modalidades pode ampliar as dificuldades financeiras quando as parcelas e os encargos passam a consumir uma parcela elevada da renda mensal.

O cenário é considerado particularmente preocupante para os consumidores com menor capacidade de pagamento.

Crédito digital amplia exposição de consumidores de baixa renda

Outro ponto destacado pelo Banco Central é o avanço da digitalização dos serviços financeiros.

Segundo a autoridade monetária, a facilidade de acesso a ofertas de crédito por meios digitais tem ampliado a exposição dos consumidores, principalmente daqueles com rendimentos mais baixos.

O relatório aponta que essa maior disponibilidade de crédito pode contribuir para intensificar o endividamento quando as contratações não são compatíveis com a capacidade financeira das famílias.

O BC também chama atenção para a necessidade de proteção dos consumidores diante de ofertas inadequadas ou abusivas.

Banco Central anuncia medidas para proteger consumidores

Na semana anterior à divulgação do relatório, o Banco Central adotou três novas medidas voltadas à proteção dos consumidores contra o endividamento excessivo.

As resoluções incluem iniciativas para combater ofertas de crédito consideradas inadequadas ou abusivas.

Também estabelecem medidas destinadas a ampliar a transparência das informações apresentadas antes da contratação de empréstimos e outras operações financeiras.

O objetivo é melhorar as condições para que os consumidores avaliem os custos e os riscos envolvidos nas contratações.

Empresas também enfrentam dificuldades para pagar dívidas

Além da situação das famílias, o Relatório de Estabilidade Financeira analisou a capacidade de pagamento das empresas brasileiras.

O Banco Central observou que, embora a maioria das corporações não apresente sinais de deterioração financeira relevante, aumentou a quantidade de empresas com resultados menos favoráveis.

“Embora não haja sinais de deterioração relevante na maioria das corporações, aumentou o número de empresas com lucro líquido menor e despesa financeira líquida maior, indicando margem de segurança mais estreita para honrar dívidas”, afirma o documento.

O cenário indica que parte das empresas enfrenta menor capacidade de absorver despesas financeiras e manter os pagamentos em dia.

Comprometimento da renda atinge maior nível em 21 anos

O principal alerta do relatório está relacionado à parcela da renda familiar destinada ao pagamento de dívidas.

Segundo o Banco Central, esse comprometimento atingiu o maior patamar registrado em 21 anos.

O resultado evidencia a pressão financeira enfrentada pelos consumidores, especialmente os de menor renda, que possuem menos recursos disponíveis para despesas essenciais depois de cumprir suas obrigações.

Com 20,3 milhões de pessoas classificadas como endividadas de alto risco, o Banco Central reforça a preocupação com a capacidade de pagamento das famílias e os efeitos da expansão do crédito no país.

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