Presidente da Argentina foi o único líder sul-americano que não felicitou o brasileiro após o resultado das eleições de 2026. Governo de Buenos Aires alega falta de reciprocidade em 2023.
O governo do presidente argentino Javier Milei informou que não pretende divulgar qualquer manifestação oficial para parabenizar Luiz Inácio Lula da Silva pela reeleição à Presidência do Brasil.
A posição foi apresentada pelo porta-voz presidencial Adrián Ravier, nesta terça-feira (27), em meio às repercussões internacionais do resultado das eleições brasileiras.
Segundo o representante do governo argentino, Buenos Aires tomou conhecimento do resultado eleitoral, mas não planeja emitir comunicado oficial, nem mesmo por meio do Ministério das Relações Exteriores.
Milei foi o único presidente da América do Sul que não parabenizou Lula pela vitória, diferentemente dos demais líderes da região, incluindo governantes identificados com a direita.
Governo argentino justifica silêncio com eleição de 2023
Ao ser questionado sobre a ausência de uma mensagem oficial, Adrián Ravier afirmou que Lula também não teria cumprimentado pessoalmente Javier Milei quando o argentino venceu as eleições presidenciais de 2023.
“Não houve nenhum gesto do presidente Lula para cumprimentá-lo pessoalmente, nem nada do tipo. Por enquanto, não há nenhum comunicado que pretendamos divulgar”, declarou o porta-voz.
Apesar da justificativa apresentada pelo governo argentino, Lula se manifestou publicamente após a vitória de Milei, em novembro de 2023.
Na ocasião, o presidente brasileiro publicou uma mensagem desejando sucesso ao novo governo, embora não tenha mencionado o nome de Milei diretamente.
“Desejo boa sorte e êxito ao novo governo. A Argentina é um grande país e merece todo o nosso respeito. O Brasil sempre estará à disposição para trabalhar junto com nossos irmãos argentinos”, escreveu Lula em 19 de novembro de 2023.
Milei apoiou Flávio Bolsonaro e criticou Lula durante campanha
A ausência de manifestação oficial ocorre após um período de divergências políticas entre os presidentes brasileiro e argentino.
Durante a campanha eleitoral de 2026, Javier Milei declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial.
Às vésperas da votação, o argentino também publicou críticas ao presidente brasileiro nas redes sociais.
Em uma das manifestações, Milei chamou Lula de “ladrão corrupto” e o acusou de realizar uma campanha eleitoral suja.
As declarações ampliaram o histórico de desentendimentos entre os dois governantes, que possuem posições políticas e econômicas distintas.
Presidentes de direita reconheceram vitória de Lula
A postura do governo argentino contrasta com a reação de outros líderes sul-americanos que, apesar de divergências políticas com Lula, reconheceram o resultado eleitoral.
O presidente da Colômbia, Abelardo de La Espriella, afirmou que não possui afinidade política com o brasileiro e destacou que ambos pertencem a campos ideológicos opostos.
Mesmo assim, reconheceu o resultado e sinalizou disposição para manter a cooperação entre os países.
No Equador, o presidente Daniel Noboa afirmou que a América Latina enfrenta desafios compartilhados e possui inimigos em comum.
Já o presidente do Chile, José Antonio Kast, informou que telefonou para Lula para cumprimentá-lo e destacou a existência de interesses e perspectivas comuns entre Brasil e Chile.
Peru, Bolívia e outros países também felicitaram Lula
A presidente do Peru, Keiko Fujimori, defendeu o fortalecimento da aliança estratégica com o Brasil.
Em sua manifestação, destacou a importância da integração regional, da cooperação bilateral e do desenvolvimento sustentável da Amazônia compartilhada.
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, também felicitou Lula e ressaltou os vínculos históricos entre os dois países.
Outros chefes de Estado sul-americanos que parabenizaram o presidente brasileiro foram:
- Yamandú Orsi, do Uruguai;
- Delcy Rodríguez, da Venezuela;
- Santiago Peña, do Paraguai;
- Irfaan Ali, da Guiana;
- Jennifer Geerlings-Simons, do Suriname.
Com essas manifestações, Javier Milei permaneceu como a única exceção entre os líderes da América do Sul.
Governos conservadores mantêm diálogo com o Brasil
Parte dos presidentes que reconheceram a vitória de Lula possui alinhamento político com o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump.
Entre eles estão Abelardo de La Espriella, Daniel Noboa, José Antonio Kast, Keiko Fujimori e Rodrigo Paz, que receberam apoio de Trump durante suas campanhas eleitorais.
Esses governos também integram o chamado Escudo das Américas, iniciativa multinacional liderada pelos Estados Unidos.
A aliança reúne ações de cooperação militar, política e econômica voltadas ao combate ao narcotráfico e às organizações criminosas transnacionais.
Apesar das diferenças ideológicas, esses líderes optaram por reconhecer o resultado da eleição brasileira e defender a continuidade das relações diplomáticas.
Brasil é um dos principais parceiros comerciais da Argentina
A decisão de Milei ocorre em um contexto de forte integração econômica entre Brasil e Argentina.
Os dois países possuem relações comerciais estratégicas, especialmente nos setores industrial e automotivo, além de participarem do Mercosul.
Segundo dados do governo argentino, em 2025 o Brasil foi o principal destino das exportações da Argentina, recebendo mais de US$ 12,8 bilhões em produtos.
O Brasil também foi a maior origem das importações argentinas, com aproximadamente US$ 18,4 bilhões em mercadorias comercializadas naquele ano.
Os números demonstram a importância econômica da relação bilateral, independentemente das diferenças políticas entre os presidentes.
Silêncio de Milei amplia distanciamento político
A decisão de não parabenizar Lula acrescenta mais um episódio ao histórico de divergências entre os governos brasileiro e argentino.
Embora a Argentina tenha reconhecido que tomou conhecimento do resultado eleitoral, o governo Milei não pretende divulgar uma mensagem oficial de congratulações.
A posição se diferencia da adotada pelos demais presidentes sul-americanos, que optaram por reconhecer a reeleição e reafirmar a importância das relações com o Brasil.
Até a última atualização, não havia indicação de que o governo argentino pretendesse rever sua decisão ou divulgar uma mensagem oficial ao presidente brasileiro.