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“Intestino faminto”: estudo identifica tipo de obesidade que pode responder melhor a medicamento

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Pesquisa da Mayo Clinic aponta que pacientes com menor saciedade perderam quase o dobro de peso com tirzepatida após seis meses

Um estudo realizado por pesquisadores da Mayo Clinic identificou um subtipo de obesidade chamado de “intestino faminto”, que pode apresentar uma resposta especialmente elevada ao tratamento com tirzepatida, princípio ativo de medicamentos utilizados no tratamento da obesidade.

A pesquisa, publicada na revista científica Gastroenterology, investigou por que algumas pessoas apresentam uma perda de peso significativamente maior do que outras quando utilizam medicamentos que atuam sobre os hormônios relacionados à fome e à saciedade.

O que é o “intestino faminto”?

O termo descreve um subtipo de obesidade associado a uma saciedade de menor duração.

Nessas pessoas, o organismo pode produzir níveis mais baixos de determinados hormônios envolvidos na regulação do apetite. Além disso, o alimento pode passar mais rapidamente pelo estômago, fazendo com que a sensação de fome retorne pouco tempo depois das refeições.

Na prática, a pessoa pode consumir uma quantidade habitual durante uma refeição, mas voltar a sentir fome mais rapidamente e realizar lanches com maior frequência.

Quase o dobro de perda de peso

Os pesquisadores analisaram 483 adultos com obesidade e identificaram diferentes características biológicas relacionadas à doença.

Entre os participantes classificados dentro do subtipo associado ao “intestino faminto”, aqueles tratados com tirzepatida apresentaram, após seis meses, uma perda de peso quase duas vezes maior do que participantes com outros subtipos de obesidade.

A tirzepatida atua sobre dois hormônios envolvidos no controle do apetite e da glicemia: GIP e GLP-1.

Os resultados sugerem que as diferenças biológicas entre os pacientes podem ajudar a explicar por que algumas pessoas respondem melhor a determinados medicamentos para perda de peso.

Obesidade pode ter diferentes mecanismos

A pesquisa reforça a ideia de que a obesidade não é uma condição provocada por um único mecanismo.

Além do chamado “intestino faminto”, pesquisadores trabalham com outros fenótipos, como o “cérebro faminto”, associado à necessidade de consumir mais calorias para atingir a saciedade, além de padrões relacionados à alimentação emocional e ao gasto energético reduzido.

A identificação desses perfis pode abrir caminho para tratamentos mais individualizados, nos quais as características biológicas do paciente sejam consideradas na escolha da estratégia terapêutica.

Resultado ainda não significa tratamento personalizado imediato

Apesar dos resultados promissores, especialistas alertam que a descoberta ainda não significa que todos os pacientes devam escolher medicamentos de acordo com um determinado “tipo” de obesidade.

A Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade 2026, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), afirma que ainda não existe recomendação clara para selecionar medicamentos de primeira linha exclusivamente com base nos fenótipos alimentares.

A entidade destaca que ainda são necessários estudos maiores e que a escolha do tratamento deve considerar eficácia, segurança, tolerabilidade, contraindicações, custos e as complicações associadas à obesidade.

O que o estudo pode mudar no futuro

Para os pesquisadores, os resultados representam um passo em direção à chamada medicina de precisão para a obesidade.

A possibilidade de identificar quais pacientes têm maior probabilidade de responder a determinados medicamentos pode, no futuro, ajudar a tornar os tratamentos mais individualizados.

No entanto, os resultados não significam que uma pessoa possa determinar sozinha qual medicamento deve utilizar. O tratamento da obesidade deve ser definido por profissional de saúde, considerando as características e condições de cada paciente.

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