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PR: produtores rurais trazem inteligência artificial dos EUA para modernizar o agronegócio paranaense

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Tecnologias conhecidas durante missões internacionais do Sistema FAEP já estão sendo testadas no Paraná para reduzir custos, automatizar silos, registrar atividades e identificar prejuízos nas lavouras.

A inteligência artificial começa a ganhar novas aplicações no campo paranaense. Após participarem de viagens técnicas aos Estados Unidos em 2026, produtores rurais e representantes do setor agropecuário passaram a desenvolver e testar ferramentas tecnológicas para melhorar a gestão das propriedades e tornar as atividades mais eficientes.

As iniciativas envolvem desde o controle financeiro da produção de mandioca até a modernização de sistemas de recebimento de grãos, análise de imagens de satélite e registro de operações rurais por comandos de voz.

As experiências surgiram a partir de missões organizadas pelo Sistema FAEP, que levaram delegações a empresas, universidades, propriedades rurais, centros de inovação e entidades representativas nos estados norte-americanos da Califórnia, Nebraska, Iowa, Illinois e Missouri.

Durante as visitas, os participantes conheceram soluções de automação, agricultura e pecuária de precisão e ferramentas de análise de dados.

Produtor de Ortigueira utiliza IA para modernizar sistema de silo

Uma das experiências ocorre em Ortigueira, nos Campos Gerais, onde o produtor rural Marcos Eidam, presidente do Sindicato Rural do município, utilizou inteligência artificial para atualizar o sistema de gerenciamento do silo da família.

Eidam já possuía experiência em programação. Entre 2008 e 2010, havia desenvolvido um aplicativo para controlar o recebimento de soja, milho e trigo, substituindo planilhas eletrônicas que exigiam trabalho adicional para cruzar informações e produzir relatórios.

Embora continuasse funcionando, o programa dependia de uma versão antiga do Windows, impedindo a atualização do computador utilizado na balança.

Após conhecer as possibilidades da ferramenta de inteligência artificial Claude, durante a segunda delegação da viagem técnica, realizada em julho, o produtor decidiu experimentar a tecnologia.

De volta ao Brasil, apresentou o problema à plataforma e forneceu o código-fonte do sistema original.

Segundo o relato, em menos de 24 horas de trabalho, conseguiu colocar em funcionamento uma nova aplicação acessível pela internet, preservando as funções anteriores e incorporando melhorias sugeridas pela inteligência artificial.

O desenvolvimento ainda não foi finalizado, mas a nova versão já está sendo utilizada nas operações do silo.

Inteligência artificial pode ajudar a reduzir custos na produção de mandioca

Outra iniciativa está sendo conduzida pela produtora Kátia Garrido, vice-presidente do Sindicato Rural de Santa Cruz de Monte Castelo.

Após integrar a quarta delegação, em setembro, ela começou a avaliar a plataforma Agro AI, voltada à organização de informações da atividade rural.

Poucos dias depois de retornar dos Estados Unidos, Kátia participou de reuniões virtuais com Lamine Dabo, CEO da empresa responsável pela ferramenta.

Atualmente, utiliza a versão gratuita e estuda a contratação do plano pago, cujo valor informado é de US$ 299 mensais.

A intenção é registrar despesas diárias e custos operacionais da lavoura de mandioca, acompanhar a rentabilidade da produção e identificar oportunidades de economia.

A produtora também pretende inserir dados por comandos de voz e fotografias de documentos, reduzindo o tempo gasto com tarefas administrativas.

Com isso, espera participar mais diretamente das atividades de preparo do solo, plantio, pulverização e colheita.

A reorganização é considerada importante diante da escassez de mão de obra, principalmente nos períodos em que a colheita coincide com outras operações agrícolas.

Satélites podem ajudar a identificar prejuízos causados por javalis

O uso de imagens de satélite também está entre as tecnologias avaliadas por representantes do agronegócio paranaense.

A produtora de suínos Deborah Gerda de Geus, presidente da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP, iniciou contatos com a empresa Planet Labs para investigar a possibilidade de identificar danos provocados por animais em áreas agrícolas.

Após participar da quarta delegação, em setembro, Deborah conversou com um representante da empresa e encaminhou coordenadas de uma área com ocorrência de capivaras, além da localização de uma lavoura afetada por javalis.

O objetivo é verificar se as imagens conseguem dimensionar a extensão dos prejuízos.

A presença de javalis preocupa os produtores não apenas pelas perdas agrícolas, mas também pelos riscos sanitários associados aos animais.

A avaliação ainda está em fase inicial.

Segundo as informações apresentadas, a tecnologia pode permitir a identificação de áreas devastadas, mas ainda não é possível determinar apenas pelas imagens se os danos foram causados por javalis, capivaras ou outras intervenções.

Ferramenta transforma relatos por voz em registros da propriedade

Uma quarta possibilidade envolve a utilização de inteligência artificial para registrar atividades rurais sem a necessidade de preencher manualmente planilhas ou cadernos.

O projeto está sendo acompanhado por Alexandre Martins, chefe da Assessoria de Inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Nacional).

Durante a segunda delegação, em julho, Martins conheceu uma startup em uma visita à Reservoir Farms.

Desde então, mantém contato com Eric Ferguson, consultor de crescimento da Numanac, para avaliar uma tecnologia capaz de transformar relatos feitos em linguagem natural em informações organizadas.

Na prática, o produtor poderia informar por voz uma atividade realizada na propriedade, incluindo a operação executada, a quantidade de produto utilizada e a data.

O sistema organizaria esses registros para consultas posteriores.

A proposta é facilitar o acompanhamento das atividades e diminuir a dependência de anotações manuais ou da memória dos produtores durante as visitas técnicas.

Martins pretende estudar a aplicação da ferramenta na pecuária e sua possível contribuição para a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG).

Entretanto, ainda não existe definição sobre a incorporação da tecnologia aos serviços do Senar Nacional.

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