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Moraes foi consultado sobre contrato de R$ 131 milhões entre esposa e Banco Master

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Metadados de documento indicam edição atribuída a usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”; defesa afirma que consulta ocorreu para verificar possíveis impedimentos legais

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, teria sido consultado pela própria esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, antes da assinatura de um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório dela e o Banco Master, então comandado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo informações apresentadas na reportagem, Viviane confirmou que solicitou, por meio do setor de compliance de seu escritório, informações a Moraes sobre possíveis impedimentos legais relacionados à contratação.

O contrato previa pagamentos de R$ 3,6 milhões por mês durante 36 meses, totalizando aproximadamente R$ 131 milhões.

Metadados apontam edição atribuída a Moraes

Informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro indicam que o arquivo do contrato possui registros de edição associados ao usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.

De acordo com os metadados, uma alteração teria sido realizada às 23h04 de 15 de janeiro de 2024, aproximadamente uma hora e 40 minutos depois de Vorcaro ter enviado o documento para Viviane.

O documento teria sido elaborado originalmente por Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório da advogada.

Os metadados são informações armazenadas no próprio arquivo e podem registrar dados como autoria, data e horário de modificações.

Defesa afirma que não havia impedimento legal

Em nota, Viviane Barci de Moraes afirmou que o contrato somente foi assinado depois da verificação da inexistência de impedimento legal relacionado ao fato de ela ser esposa de um ministro do STF.

Segundo a declaração, não havia previsão de atuação do escritório em processos no Supremo Tribunal Federal envolvendo o Banco Master e Moraes jamais teria julgado qualquer causa relacionada à instituição financeira.

A defesa afirma ainda que os serviços contratados foram efetivamente prestados.

Contrato previa consultoria jurídica

O contrato entre o escritório de Viviane e o Banco Master foi firmado para um período de fevereiro de 2024 a novembro de 2025.

Segundo informações divulgadas pelo escritório, durante esse período foram produzidos 36 pareceres e realizadas 94 reuniões de trabalho com integrantes do banco.

A prestação de serviços envolvia consultoria e atuação jurídica, incluindo análise de documentos e discussão de questões jurídicas relacionadas à instituição.

O contrato tinha escopo amplo e previa a possibilidade de representação do Banco Master em diferentes situações, sem especificar apenas uma causa ou processo.

Escritório atuou em processo envolvendo investidor

Entre os casos em que Viviane atuou esteve uma queixa-crime apresentada em abril de 2024 por Daniel Vorcaro e pelo Banco Master contra o investidor Vladimir Timerman, da Esh Capital.

O caso estava relacionado a um antigo litígio envolvendo o empresário Nelson Tanure, acionista da Gafisa.

Na queixa-crime, Timerman foi acusado de caluniar Vorcaro.

Pagamentos foram interrompidos após prisão de Vorcaro

Os pagamentos previstos no contrato foram paralisados após a primeira prisão de Daniel Vorcaro, ocorrida em 17 de novembro de 2025.

Posteriormente, o ex-banqueiro foi solto e voltou a ser preso em março de 2026.

Parte dos pagamentos realizados pelo Banco Master ao escritório de Viviane consta na declaração de imposto de renda da instituição, conforme documentação encaminhada à CPI do Crime Organizado, do Senado.

Mendonça pede manifestação da PGR

Paralelamente às informações sobre o contrato, o ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master no STF, solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma manifestação sobre um relatório da Polícia Federal.

O documento reúne informações sobre mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Mendonça estabeleceu prazo de cinco dias para que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifeste.

O relatório da PF foi elaborado a partir de mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Em algumas delas, o ex-banqueiro teria pedido ajuda relacionada às investigações envolvendo o banco.

Uma das mensagens mencionadas na investigação teria sido enviada a Moraes antes da primeira prisão de Vorcaro, quando o empresário buscava uma possível atuação para tentar adiar uma operação.

Vorcaro acabou preso em 17 de novembro, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai, com escala em Malta.

O caso reúne investigações sobre a relação entre o ex-controlador do Banco Master e autoridades, além de questionamentos sobre o contrato firmado entre a instituição financeira e o escritório da esposa de Moraes.

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