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Simepar descarta ocorrência de tornados nos estragos registrados em cidades do Paraná

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Rajadas de vento ultrapassaram 100 km/h, mas análises do Simepar não identificaram indícios de tornados nas áreas atingidas

Tempestades severas acompanhadas por fortes rajadas de vento provocaram estragos em municípios de diferentes regiões do Paraná nesta terça-feira (29). Toledo, Altamira do Paraná, Ivaiporã, Umuarama e Piraí do Sul estiveram entre as cidades mais atingidas.

Apesar dos danos registrados, os fenômenos não foram classificados como tornados, segundo análises realizadas por equipes do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

O Simepar analisou imagens de radar e satélite referentes aos locais e horários das ocorrências. Até o momento, não foi identificado indício de tornado em nenhum dos casos analisados.

Linha de instabilidade provocou ventos fortes

Segundo o Simepar, uma linha de instabilidade atravessou o Paraná a partir da tarde de terça-feira (29). Fortes rajadas de vento e precipitações de granizo atingiram diferentes municípios durante a passagem de uma frente fria, que avançou pelo Estado até o início da madrugada desta quarta-feira (30).

As rajadas ultrapassaram 100 km/h em estações meteorológicas do Simepar.

Em Santa Maria do Oeste, foi registrada rajada de 105,12 km/h às 17h15. Em Umuarama, os ventos chegaram a 101,5 km/h às 16h.

Em Umuarama, no Noroeste do Paraná, uma pessoa morreu durante os temporais.

Em Toledo, os ventos provocaram diversos danos, incluindo a destruição do aeroporto da cidade.

Como o Simepar identifica um tornado

Após receber imagens e relatos da Defesa Civil e da população, os meteorologistas analisam as informações por meio de imagens de radar meteorológico e satélite.

O objetivo é verificar se as evidências são compatíveis com a ocorrência de um tornado.

Outros fenômenos meteorológicos também podem provocar danos significativos. Por isso, a análise é necessária para diferenciar um tornado de eventos associados a fortes correntes de vento.

Em ocorrências relacionadas a correntes descendentes, como as produzidas por downbursts ou pela região de saída da corrente descendente de retaguarda (RFD) de uma supercélula, o padrão dos danos tende a apresentar características predominantemente divergentes ou orientação semelhante.

Já os danos provocados por tornados frequentemente apresentam convergência e mudanças espaciais na orientação dos estragos.

Avaliação considera diferentes tipos de danos

A intensidade de um tornado pode ser classificada a partir da análise dos danos provocados pelo fenômeno.

A avaliação considera diferentes indicadores e o grau de dano observado em cada um deles. Entre os aspectos analisados estão o tipo de estrutura ou objeto atingido, suas dimensões, condições de construção, resistência, ancoragem e estado anterior.

No caso da vegetação, também são consideradas características físicas e biológicas.

Entre os elementos avaliados estão árvores, edificações, estruturas de concreto e metálicas, postes e torres, além de objetos que tenham sido arremessados ou deslocados.

A classificação não é definida a partir de um dano isolado. Os meteorologistas analisam conjuntamente os diferentes indicadores e o padrão espacial dos estragos.

Levantamentos de campo ajudam a identificar a trajetória

Para determinar detalhes como a trajetória, o diâmetro e a intensidade de um eventual tornado, equipes de meteorologistas realizam levantamentos de campo.

Durante o trabalho, são coletados relatos de moradores e analisados, registrados e georreferenciados os danos encontrados nas áreas atingidas.

Também podem ser utilizados mapeamentos aéreos realizados por drones equipados com sensores de alta resolução. Dependendo da necessidade, aviões ou helicópteros também podem ser utilizados para aerolevantamentos.

Outra ferramenta é a comparação de imagens de satélite obtidas antes e depois das ocorrências, incluindo a análise da diferença do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI).

Tornados são fenômenos concentrados

Os tornados são fenômenos extremamente concentrados e geralmente se originam de tempestades severas, especialmente supercélulas.

Essas tempestades possuem uma região de rotação interna chamada mesociclone. O tornado se forma quando essa rotação se intensifica e se estende até o solo.

Apesar de os ventos de um tornado poderem superar os de um furacão, suas dimensões são reduzidas, normalmente variando de centenas de metros a poucos quilômetros, e a duração costuma ser de poucos minutos.

Por essas características, a previsão de tornados apresenta incertezas em escalas espaciais e temporais muito pequenas.

Com algumas horas de antecedência, é possível identificar condições favoráveis à formação de tempestades severas com potencial tornádico. Porém, determinar se uma tempestade específica produzirá um tornado e exatamente onde isso ocorrerá depende do monitoramento em tempo real.

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