Ministro do STF determinou apuração de suposta interferência estrangeira nas eleições brasileiras, incluindo possíveis manipulações de algoritmos e interesses sobre minerais estratégicos do país.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (27) que a Polícia Federal (PF) investigue suspeitas de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro, incluindo a possível utilização de recursos financeiros de origem norte-americana para influenciar candidaturas.
A decisão também determina a apuração de eventuais negociações envolvendo a empresa Rockbridge Network, que, segundo as suspeitas mencionadas, teria participado de tratativas para direcionar apoio financeiro à campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Outro ponto da investigação será a possível atuação de empresas de internet na manipulação de algoritmos para beneficiar ou prejudicar candidatos durante a disputa eleitoral.
Até o momento, os fatos mencionados são suspeitas que deverão ser esclarecidas pela investigação, não havendo comprovação de financiamento irregular na decisão apresentada.
PF vai investigar possível entrada de recursos estrangeiros nas eleições
A determinação de Flávio Dino busca esclarecer se houve participação financeira de agentes estrangeiros no processo eleitoral brasileiro.
Entre os pontos que deverão ser examinados está a possível destinação de recursos provenientes dos Estados Unidos durante o período de campanha.
Na decisão, o ministro aponta uma “intensificação dos indícios de ingerência estrangeira no processo eleitoral”.
Dino ressalta que a proibição de interferência externa está diretamente relacionada à preservação da soberania nacional e à autonomia das instituições brasileiras.
Empresa Rockbridge Network entra no foco da investigação
O inquérito também deverá apurar supostas negociações envolvendo a Rockbridge Network.
Conforme os elementos citados na decisão, a empresa estaria relacionada a tratativas para direcionar apoio financeiro à campanha de Flávio Bolsonaro.
A Polícia Federal deverá verificar a existência dessas negociações, sua natureza e se houve eventual participação de recursos estrangeiros em atividades eleitorais.
A inclusão da empresa e das suspeitas envolvendo a candidatura na investigação não significa, por si só, que alguma irregularidade tenha sido comprovada.
Ministro quer apuração sobre manipulação de algoritmos
Além do financiamento eleitoral, Dino determinou que a PF investigue a possibilidade de interferência digital na disputa.
A apuração deverá esclarecer eventuais “manipulações algorítmicas, por parte de empresas de internet, visando favorecer ou prejudicar candidaturas”.
O objetivo é verificar se plataformas digitais teriam sido utilizadas para influenciar artificialmente a visibilidade de candidatos ou conteúdos políticos.
A investigação deverá determinar se essas práticas ocorreram e se houve participação de agentes estrangeiros.
Interesse em terras raras e minerais brasileiros também será investigado
Outro aspecto destacado pelo ministro envolve possíveis interesses econômicos de grupos estrangeiros nos recursos minerais brasileiros.
Dino mencionou especificamente as terras raras e os minerais críticos, considerados recursos estratégicos.
Na decisão, ele afirmou ser necessário esclarecer se eventuais iniciativas de apoio eleitoral poderiam estar associadas a interesses econômicos sobre essas riquezas.
“Sublinho, ainda, a necessidade de esclarecer o possível vínculo entre apoio eleitoral e o interesse econômico de agentes estrangeiros nas terras raras e nos minerais críticos brasileiros”, declarou o ministro.
Constituição proíbe recursos estrangeiros para partidos políticos
Flávio Dino também fundamentou sua decisão nas restrições constitucionais à influência estrangeira sobre organizações partidárias.
O ministro destacou que a Constituição brasileira veda aos partidos políticos o “recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes”.
A regra busca impedir que interesses externos comprometam a independência do processo político nacional.
Com a determinação, caberá à Polícia Federal reunir elementos para esclarecer a origem de eventuais recursos, a atuação dos envolvidos e a existência de possíveis irregularidades.
A investigação está em fase de apuração, e as suspeitas ainda dependem de comprovação.