Júlia sofreu uma hemorragia intracraniana e edema cerebral após andar na Montezum; cinco meses depois, ela segue em processo de reabilitação
Jovem foi retirada desacordada da atração
No fim da tarde, Júlia e o marido, João Pedro, decidiram voltar à montanha-russa Montezum, no Hopi Hari. Segundo João Pedro, Júlia havia se lembrado de que tinha direito a uma promoção e os dois resolveram aproveitar a oportunidade antes de deixarem o parque.
As câmeras do parque registraram o momento em que os dois se sentaram em um dos bancos traseiros do carrinho. Durante a subida da montanha-russa, Júlia aparece consciente e tranquila. Não há imagens do restante do percurso.
Cerca de dois minutos depois, o carrinho retornou à plataforma e Júlia estava desacordada.
Segundo o marido, ela já estava inconsciente e convulsionando quando o carrinho chegou à estação. Funcionários do parque se aproximaram e, cerca de seis minutos depois, a jovem foi retirada em uma maca e levada para atendimento médico.
Inicialmente, Júlia foi encaminhada ao ambulatório do próprio Hopi Hari. Segundo o marido, ela permaneceu inconsciente durante o atendimento.
Após o episódio, a atração voltou a funcionar normalmente.
Internação durou 57 dias
A jovem foi posteriormente transferida para a Santa Casa de Vinhedo. Exames apontaram uma hemorragia intracraniana e um edema cerebral, quadro que exigiu uma cirurgia de emergência.
Júlia permaneceu internada por 57 dias.
De acordo com um laudo médico citado pela família, o traumatismo teria sido provocado por um mecanismo de contragolpe durante o percurso na montanha-russa. O documento aponta que movimentos bruscos de aceleração, desaceleração e rotação podem provocar o rompimento de vasos sanguíneos cerebrais.
Cinco meses após o acidente, a jovem segue em processo de reabilitação. Segundo familiares, ela perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo, apresenta dificuldades de fala e já passou por sete cirurgias desde o episódio.
Ministério Público investiga o caso
O Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação para apurar as circunstâncias do caso e determinou a realização de uma perícia na atração. O procedimento ainda está em andamento.
Em agosto de 2026, o Ministério Público havia emitido um parecer sobre a montanha-russa após uma mulher ser levada à enfermaria com dores no pescoço, em julho.
Segundo o Hopi Hari, o parecer descartou risco coletivo relacionado à atração.
O que diz o Hopi Hari
Em nota, o Hopi Hari afirmou que a Montezum possui certificação internacional emitida pelo Grupo TÜV Nord e que as inspeções são realizadas anualmente em atrações radicais.
O parque também informou que segue a norma nacional para parques de diversões ABNT NBR 15926-2023 e que mantém protocolos de segurança, treinamento de funcionários e procedimentos de atendimento aos visitantes.
Segundo o parque, existem placas com informações sobre a atração, recomendações e restrições em pontos de fácil visualização. Avisos sonoros também são apresentados durante a fila e no momento do embarque.
O Hopi Hari informou que, de janeiro de 2026 até o momento, mais de 870 mil pessoas frequentaram o parque e aproximadamente 470 mil passaram pela Montezum, apontada como a atração mais visitada do local.
A administração também declarou que a jovem paranaense acessou a Montezum duas vezes no mesmo dia. A primeira vez teria ocorrido às 11h e a segunda, aproximadamente cinco horas depois, por volta das 16h30.
De acordo com o parque, o episódio ocorreu durante a segunda passagem pela atração, quando a visitante apresentou um quadro de convulsão e recebeu atendimento das equipes, seguindo os protocolos de segurança.
A empresa afirmou ainda que Júlia recebeu os primeiros socorros no ambulatório e depois foi encaminhada para a Santa Casa de Vinhedo. O parque informou que acompanhou o tratamento, manteve contato com os familiares e custeou as despesas durante a permanência da jovem em Vinhedo.
O departamento jurídico do Hopi Hari também teria mantido contato com a família durante o processo de atendimento. Segundo a administração, um seguro foi disponibilizado aos familiares.
O parque afirmou ainda que continua investindo em normas, procedimentos e treinamentos voltados à segurança e que, nos últimos cinco anos, recebeu mais de 5,5 milhões de visitantes.
Sobre ocorrências mencionadas de anos anteriores, o Hopi Hari declarou que os dados pertencem a gestões passadas e que a atual administração mantém o foco na cultura de segurança implementada nos últimos cinco anos.