PIB desacelera e consumo das famílias recua
A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, abaixo dos 1,1% registrados no primeiro trimestre. O principal alerta foi a queda de 0,4% no consumo das famílias, indicando maior cautela dos consumidores diante dos juros altos, crédito restrito e inadimplência.
Indústria perde força
O crescimento ficou concentrado em alguns setores. A indústria extrativa avançou 3,4%, enquanto a indústria de transformação recuou. Os investimentos cresceram 1,2%, mas a taxa de investimento ficou em apenas 16,1% do PIB, nível considerado baixo para sustentar um crescimento mais forte.
Juros pesam sobre consumo e investimentos
Economistas avaliam que a política monetária restritiva começa a produzir efeitos mais fortes sobre a economia. Caso a atividade continue enfraquecendo e a inflação recue, o Banco Central poderá ter espaço para reduzir a Selic. Porém, as expectativas de inflação ainda dificultam cortes mais rápidos.
Terceiro trimestre preocupa
O IBC-Br caiu 0,6% em junho, deixando uma estimativa de carregamento negativo de 0,4% para o terceiro trimestre. Indústria e serviços também perderam força, aumentando o risco de uma desaceleração maior, embora uma recessão ainda não seja o cenário principal.
Agro ajuda a sustentar resultado
A agropecuária continua contribuindo positivamente, mas representa cerca de 7% a 8% do PIB, enquanto os serviços respondem por aproximadamente 70% e a indústria por 20% a 22%. Assim, o desempenho do campo não consegue compensar sozinho a fraqueza de setores maiores.
Governo mantém previsão
Apesar da desaceleração, o Ministério da Fazenda manteve a previsão de crescimento de 2,3% do PIB em 2026, mesma taxa registrada em 2025. A expectativa é de perda de ritmo no terceiro trimestre e recuperação gradual no fim do ano, caso a redução dos juros favoreça setores dependentes de crédito.