Prints de conversas divulgados pelos advogados da família da policial militar Gisele Alves Santana, de 29 anos, mostram que o tenente-coronel Geraldo Neto dizia ter acesso às redes sociais da esposa. Nas conversas, o PM questiona um outro rapaz sobre o motivo pelo qual ele estaria conversando com sua esposa. “Então meu amigo, se orienta blz !”, escreveu Geraldo.
O homem tenta se justificar ao tenente dizendo que era primo de Gisele e que se conheciam há cerca de 15 anos, mas é repreendido com outra mensagem dizendo que não era para ficarem com conversas sobre qualquer assunto.
Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um ferimento de arma de fogo na cabeça no dia 18 de janeiro, em seu apartamento no bairro do Brás, na capital paulista. O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas passou a ser tratado pela Polícia Civil como morte suspeita.
O principal alvo das apurações é o marido da vítima, o tenente-coronel Geraldo Neto, que pediu afastamento de suas funções na corporação na última terça-feira (3).
A alteração na natureza do crime ocorreu após denúncias de que Gisele vivia um relacionamento conturbado e abusivo com Geraldo.
Em depoimento, a mãe da vítima, Marinalva Vieira Alves, relatou que o oficial impunha severas restrições à filha, a proibindo de usar batom, salto alto e perfume, além de exigir o cumprimento rigoroso de diversas tarefas domésticas.
A pressão psicológica, segundo a família, envolvia até mesmo chantagem emocional. A mãe relatou que, quando Gisele manifestou o desejo de se separar, Geraldo enviou uma fotografia em que aparecia com uma arma apontada para a própria cabeça, fazendo-a desistir do término.
Dias antes da morte, a policial chegou a ligar para o pai, chorando muito e afirmando que não aguentava mais a pressão, pedindo que ele fosse buscá-la em casa. No entanto, ela mudou de ideia logo em seguida, alegando que o casal ainda estava conversando sobre a separação.





