Brasil Política

Superman de Ponta Grossa é citado na CPI da Covid e diz que reverendo agiu de má-fé

03/08/2021 | 23:10 Por Notícias Mz Modificado em 03, agosto, 2021 11:10

A sessão desta terça-feira (3 de agosto) da CPI da Covid teve uma inusitada e inesperada participação de um nome do Paraná. É que os senadores da República questionaram a ligação do reverendo Amilton Gomes de Paula, apontado por representantes da Davati Medical Supply como um intermediador entre o governo federal e empresas que ofertavam vacinas, com um advogado do Paraná. Trata-se de Aldebaran von Holleben, de Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais.

Em março último, Aldebaran já havia sido personagem da ‘disputa’ pelo título de Superman – o advogado chegou a ingressar com uma ação numa Vara Cível pedindo para ser reconhecido como o Super-Homem no Brasil e reivindicando vaga como ator nas produções do Homem de Aço.

Já hoje, o advogado paranaense foi citado em uma pergunta do senador Jean Paul Prates (PT-RN), que inquiriu o reverendo sobre a ligação de sua organização, a Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (SENAH), com outras organizações que estariam utilizando a logo da Organização das Nações Unidas (ONU). Entre essas organizações estaria a United Nations Mission of International Relations (UNMIR), presidida justamente por Aldebaran.

Em sua resposta, o revendo afirmou que a UNMIR, assim como a SENAH, integraria uma rede de ONGs coordenadas pela ONU e voltadas ao trabalho humanitário, sem apresentar provas. A partir dali, a citação ao Superman de Ponta Grossa se tornou recorrente, aparecendo, por exemplo, na fala do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

Procurado pelo Bem Paraná, Aldebaran von Holleben afirmou que a UNMIR é uma instrituição inter-govenamental (IGO). “Eu sou dono da UNMIR, titular e dono da UNMIR. Mas não tenho relação com o pastor – nem conheço ele – e nem com a instituição dele. Quem conhece ele é um diretor da Unmir, o Zigmund. Eu não conheço, nunca falei com ele”, disse o advogado. “É o Zigmund que conhece o Amilton, sabe. Daí o reverendo fez um documento de parceria, queria que a gente assinasse esse documento, e nós falamos que não. Ele queria que a gente assinasse justamente para ele poder usar [o nome e a logo da UNMIR], e não foi assinado nada. Eu, para mim, ele agiu de má-fé. Não confio nele em nada”, disse o advogado paranaense.

Questionado, ainda, sobre o que seria efetivamente a UNMIR, Aldebaran afirmou tratar-se de uma instituição “humanitária, de direitos humanos, diplomática e educacional”, que busca preparar as pessoas para serem “cidadãos melhores”.

‘Sou embaixador dos Estados Unidos e também posso conceder passaportes diplomáticos’

Aldebaran também contou ter assumido a UNMIR, que estaria parada desde 2015, há pouco tempo. Ele alega que a partir do momento em que passou a presidir a instituição, tornou-se também embaixador humanitário dos Estados Unidos, podendo, inclusive, conceder os títulos de cônsul e embaixador honorário e até mesmo conceder passaportes diplomáticos.

“Então, basicamente, o que acontece: os Estados Unidos não exerce monopólio sobre a sua atividade diplomática. Você pode ser embaixador honorário ou cônsul honorário, ou embaixador humanitário, como é o meu caso. Eu sou embaixador honorário, presidente da UNMIR. Também posso conceder os títulos de cônsul e embaixador honorário para quem eu quiser. É assim que funciona, basicamente”, tentou explicar Aldebaran. “Os passaportes diplomáticos, tenho que mandar fazer, posso cadastrar na União Europeia, Brasil, todos os países do mundo, e você pode viajar com o passaporte diplomático. Aí quando você for viajar com o passaporte diplomático, você não vai estar fazendo uma viagem de turismo, estará viajando em caráter diplomático, para fazer um trabalho humanitário. O passaporte diplomático te dá condição VIP. Ele não te impede de ser preso, não tem essa prerrogativa penal, mas ele te dá uma condição VIP. Fica VIP no aeroporto, não fica na fila. Mas aí tenho de mandar fazer os passaportes, ainda não estão prontos. Mas se alguém quiser participar da instituição, pode participar, não tem problema”.

Para conseguir um desses supostos passaportes diplomáticos, segundo Aldebaran, é necessário pagar à UNMIR. “Tem de pagar taxa de adesão, participar da instituição. Eu dou o título e você vai ajudar uma ONG. Vai ajudar a ONG dos cachorros vira-latas, a ONG das crianças adotadas, a ONG das pessoas com Aids, entende? Nós te colocamos para trabalhar numa ONG.”

Questionado também sobre a utilização da logo da Organização das Nações Unidas (ONU) pela UNMIR, Aldebaran disse ter autorização dos Estados Unidos.

“Aquele senador do PT falou que era estelionato, falsidade ideológica, usar o símbolo da ONU. Não é, não. Os Estados Unidos autorizou a UNMIR a utilizar o símbolo da ONU. Podemos usar, sim, o símbolo da ONU e conceder os títulos de embaixador e de cônsul. Podemos conceder pasaporte diplomático, inclusive, para a pessoa que quiser aderir à instituição. Ele, o senador, cometeu uma calúnia, falou que era estelionato, falsidade ideológica. Não é, não. Posso usar o símbolo da ONU e sou embaixador pelos Estados Unidos”, afirmou o advogado, convicto, mas nada convincente. “Eles [Estados Unidos] me concederam a vaga na ONU e comunicou a ONU disso, entende? Não sou ligado com a ONU diretamente, os EUA que me concedeu a condição de ser membro da ONU, eles podem fazer isso.”

Fonte: Bem Paraná

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