Serviços de inteligência europeus intensificaram os alertas sobre possíveis operações clandestinas atribuídas ao Irã em território europeu. As preocupações envolvem suspeitas de espionagem, sabotagem, incêndios criminosos, ataques cibernéticos e planos de violência contra opositores do regime iraniano, comunidades judaicas, interesses israelenses e instalações militares.
Em 12 de outubro, 32 países, entre eles Reino Unido, França, Alemanha, Estados Unidos, Canadá e Holanda, divulgaram uma declaração conjunta condenando ações violentas que atribuíram ao governo iraniano ou a redes que atuariam em seu nome.
O posicionamento ocorreu após autoridades britânicas associarem um episódio próximo à base aérea de Fairford, na Inglaterra, a possíveis operações da inteligência iraniana ou de grupos ligados a ela. A instalação militar é utilizada por forças norte-americanas.
Segundo informações divulgadas pelo jornal francês Le Monde, investigadores britânicos apuram uma possível tentativa de atingir aeronaves militares com pequenos drones equipados com explosivos. Cinco pessoas chegaram a ser presas durante a investigação e posteriormente foram liberadas sob medidas cautelares, enquanto as apurações prosseguiram.
O diretor-geral do serviço de inteligência britânico MI5, Ken McCallum, afirmou que operações consideradas hostis e ligadas ao Irã levaram à prisão de mais de 50 pessoas no Reino Unido desde janeiro.
As preocupações não se limitam às instalações militares. Investigações e processos judiciais também envolvem suspeitas de vigilância contra instituições judaicas, representantes da comunidade israelense e veículos de comunicação críticos ao governo de Teerã.
Na Alemanha, dois homens foram condenados em outubro por participação em um plano que, segundo a Justiça alemã, envolvia ataques contra lideranças judaicas e estabelecimentos comerciais ligados à comunidade judaica.
Também há preocupação com operações digitais. Autoridades britânicas e aliadas divulgaram informações sobre uma ferramenta de espionagem cibernética que teria sido utilizada para se passar por contatos de vítimas em aplicativos de mensagens e obter informações sensíveis.
O governo iraniano rejeita as acusações britânicas e afirma que elas buscam desviar a responsabilidade do Reino Unido em meio ao conflito regional.
As autoridades europeias continuam monitorando possíveis ameaças e investigando a atuação de redes suspeitas. Até o momento, os alertas não representam a confirmação de um ataque generalizado ou de uma ofensiva iminente contra o continente.





