Piloto que ficou sem andar após acidente recebe tratamento inédito
Brasil

Piloto que ficou sem andar após acidente recebe tratamento inédito

03/02/2026 | 15:40 Por Gabriel Vinicius Cabral

Após perder os movimentos das pernas por causa de um grave acidente de motocross no Sul do Espírito Santo, o piloto capixaba Luiz Fernando do Nascimento Mozer, 37, conseguiu na Justiça o direito de receber um tratamento inédito: a polilaminina.

O medicamento – uma proteína extraída da placenta humana – ainda é experimental, fruto de 25 anos de pesquisa liderada por Tatiana Coelho de Sampaio, professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o laboratório Cristália.

Luiz Fernando teve uma lesão medular completa, considerada grave e irreversível, após um acidente no dia 7 de dezembro, em Vargem Alta.

 

Como a polilaminina ainda não é liberada para ser comercializada, a família de Luiz Fernando correu contra o tempo para acionar a Justiça e conseguir acesso ao tratamento.

No último sábado (15), após uma decisão favorável, dois médicos que fazem parte da equipe de pesquisadores da nova droga estiveram na Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim, onde aplicaram a medicação.

Um dos médicos, Olavo Borges Franco, da UFRJ, revelou que a medicação é aplicada dentro da medula do paciente. “Ela foi bem-sucedida, mas a recuperação depende também de fatores anatômicos da lesão. Se houver uma recuperação, ela será gradual e ao longo das sessões de fisioterapia”.

A professora doutora Tatiana Coelho de Sampaio explicou que a aplicação, no caso do paciente capixaba, não faz parte de estudos clínicos da medicação. “Esse foi um procedimento isolado, autorizado pela Justiça, em que a Cristália disponibilizou a medicação. O que sabemos é que outros três pacientes tiveram liminar favorável, mas ainda não receberam”.

Para liberação para uso no País, o medicamento ainda aguarda autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar novos estudos clínicos regulatórios. “Até o momento, dentro de estudo clínico, oito pacientes já receberam a medicação”.

Representantes do governo Estadual, do laboratório da UFRJ e da indústria Cristália realizaram ontem uma visita técnica para conhecer a infraestrutura do Estado.

O assessor de relações institucionais da Casa Civil, Mitter Mayer, revelou que o Espírito Santo se prepara para ser um “braço auxiliar” na pesquisa da polilaminina.

“Queremos colocar cinco hospitais de referência na questão de trauma para participar da validação da medicação, antes do uso comercial. No entanto, ainda dependemos do aval da Anvisa para liberar os estudos”.