‘É gratificante salvar pelo menos um’: o brasileiro de 20 anos que decidiu lutar pelo exército da Ucrânia
Guerra

‘É gratificante salvar pelo menos um’: o brasileiro de 20 anos que decidiu lutar pelo exército da Ucrânia

02/03/2026 | 09:00 Por Gabriel Vinicius Cabral

Perder amigos em questão de minutos. Ver civis morrerem em vilas reduzidas a escombros. Passar quatro dias preso em um bunker sem comida, sob monitoramento de drones. Aos 20 anos, o sul-mato-grossense Alexandre Duarte, voltou ao Brasil depois de quatro meses e meio na linha de frente da guerra entre Ucrânia e Rússia com marcas que, segundo ele, “a mente ainda está tentando entender”.

Duarte, conhecido pelo nome de guerra Soldado Madruga, tem atualmente mais de 20 mil seguidores nas redes sociais, que acompanhavam sua rotina durante o período em que esteve na guerra. Em entrevista ao Terra, ele contou que não tinha experiência nenhuma de atuação no Exército e que a decisão de ir para o conflito começou após ouvir o relato de um amigo que já estava na Ucrânia.

“Esse amigo me mostrou a realidade de lá, que é bem complicada. A população civil, principalmente os idosos, sofre muito porque mora perto do front e muitas vezes é atacada por drones e artilharia. A situação deles é muito difícil”, disse ele. “Isso me comoveu e despertou a vontade de ir”, acrescentou.

A família não acreditou quando ele avisou que iria partir. Ainda assim, embarcou e só voltou a dar notícias quando já estava na Espanha, a caminho do Leste Europeu. Inicialmente, alistou-se na Legião Estrangeira, mas, ao chegar à Ucrânia, ingressou diretamente no Exército ucraniano. Foi designado para um batalhão responsável por missões de assalto, reconhecimento e sabotagem.

“O treinamento era bastante tático. A gente fazia assaltos a posições russas para tentar forçá-los a recuar. No reconhecimento, atuávamos em grupos pequenos, de forma furtiva, para não sermos detectados por drones”, descreveu. Segundo ele, o batalhão reunia voluntários de diferentes países.