CNPE aprova aumento do etanol na gasolina para 32% a partir de agosto
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CNPE aprova aumento do etanol na gasolina para 32% a partir de agosto

14/07/2026 | 12:43 Por Redacao

Medida busca reduzir a dependência de gasolina importada em meio à alta do petróleo provocada pela crise no Oriente Médio. Setor automotivo, porém, faz alertas sobre possíveis impactos.


Conselho aprova aumento da mistura de etanol

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira (14) o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passará de 30% para 32%.

A medida terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período. Segundo o Ministério de Minas e Energia, a previsão é de que a nova mistura entre em vigor em 1º de agosto.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a mudança poderá se tornar permanente e defendeu que os veículos em circulação estão preparados para utilizar a nova composição.

Governo cita guerra no Oriente Médio e redução das importações

Segundo o CNPE, a decisão considera a volatilidade do mercado internacional de petróleo, agravada pela escalada do conflito no Oriente Médio.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a adoção da gasolina com 32% de etanol (E32) poderá reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina, fortalecendo o uso de biocombustíveis produzidos no Brasil.

O governo também argumenta que a medida contribui para ampliar a participação de fontes renováveis na matriz energética nacional.

Testes indicam segurança, afirma governo

O CNPE informou que estudos avaliaram aspectos como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo de combustível e emissões de poluentes.

Segundo o conselho, os resultados mostraram comportamento semelhante ao observado com misturas anteriores, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive nos modelos equipados com motores movidos exclusivamente a gasolina.

Indústria automotiva questiona decisão

Após a aprovação da medida, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou nota afirmando que é contrária ao aumento da mistura sem estudos técnicos específicos e conclusivos sobre sua compatibilidade com toda a frota brasileira.

A entidade argumenta que os testes realizados para validar a gasolina com 30% de etanol não comprovam, tecnicamente, a adoção obrigatória do E32.

Segundo a Anfavea, ainda seriam necessários estudos de durabilidade, emissões, autonomia e validação em diferentes modelos de veículos.

Veículos antigos podem sentir mais os efeitos

Especialistas ouvidos pela imprensa avaliam que automóveis mais antigos ou importados, desenvolvidos para teores menores de etanol, podem apresentar aumento no consumo de combustível, além de maior desgaste e risco de corrosão em alguns componentes.

Isso ocorre porque o etanol anidro possui capacidade de absorver umidade, o que pode favorecer processos de corrosão em motores e sistemas que não foram projetados para operar com concentrações mais elevadas do biocombustível.