Família afirma que jovem de 26 anos desenvolveu dependência em jogos de apostas, mudou de comportamento e acumulou perdas financeiras antes de morrer.
Mudança de comportamento preocupou a família
A professora Vânia de Souza Borges afirma que o filho, Rafael Borges Amaral, de 26 anos, desenvolveu dependência em apostas on-line antes de morrer. Segundo ela, o jovem passou a trocar as noites de descanso por horas seguidas em plataformas de apostas, alterando completamente sua rotina.
De acordo com o relato da mãe, Rafael trabalhava durante o dia, mas permanecia fazendo apostas durante a madrugada, dormindo cada vez menos.
Ela conta que tentou convencê-lo a abandonar os jogos, mas acredita que o filho já estava dominado pelo vício.
Trabalho e vida pessoal foram afetados
Segundo a família, Rafael era conhecido pela responsabilidade no trabalho, mas começou a faltar com frequência para permanecer em casa realizando apostas.
Ainda conforme o relato da mãe, ele perdeu o contrato do lava a jato onde trabalhava em razão das ausências. Posteriormente, conseguiu outro emprego e passou a trabalhar jornadas de até 16 horas por dia, mas continuou destinando parte da renda às apostas.
A família afirma que o jovem também deixou de investir em objetivos pessoais e se afastou de pessoas próximas.
Perdas financeiras
Vânia relata que o filho chegou a vender uma motocicleta seminova e escondia da família a dimensão da dependência.
Antes de morrer, Rafael teria enviado um áudio a um amigo relatando que não conseguia mais controlar o vício e que havia acumulado grandes perdas financeiras.
Segundo a mãe, informações obtidas junto a uma instituição financeira apontam que, na madrugada do dia da morte, ele realizou uma transferência para uma plataforma de apostas. Ela afirma, porém, que ainda não conseguiu acesso aos extratos bancários completos para calcular o valor total perdido.
Família busca responsabilização
Após a morte do filho, Vânia procurou o Ministério Público e a Polícia Civil de Minas Gerais em busca de investigação sobre a atuação das plataformas de apostas.
A investigação foi posteriormente arquivada pelo Ministério Público de Minas Gerais. A família sustenta que o caso ultrapassa uma tragédia individual e defende que empresas do setor e responsáveis por campanhas de divulgação também sejam investigados.
Caso chega ao Ministério da Justiça
Com a repercussão do caso, a deputada federal Dandara (PT-MG) apresentou representação ao Ministério da Justiça e Segurança Pública solicitando que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor apurem possíveis práticas de publicidade enganosa, estratégias digitais consideradas predatórias e eventuais falhas na proteção dos consumidores por parte de plataformas de apostas.
Atualmente, as apostas de quota fixa são regulamentadas no Brasil e empresas autorizadas pelo governo federal devem cumprir regras específicas, incluindo medidas de proteção aos consumidores e alertas sobre os riscos associados aos jogos.





