Crises de Casas Bahia e Marabraz podem dificultar acesso ao crédito para o varejo
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Crises de Casas Bahia e Marabraz podem dificultar acesso ao crédito para o varejo

19/08/2026 | 10:18 Por Redacao

Pedidos de recuperação judicial reacendem temor de restrição nas linhas de financiamento para empresas do setor, cenário semelhante ao observado após a crise da Americanas

Crise reacende preocupação no mercado financeiro

Os pedidos de recuperação judicial das Casas Bahia e da Marabraz nesta semana reacenderam no mercado financeiro o temor de um novo aperto nas linhas de financiamento destinadas às empresas do varejo.

O cenário traz lembranças do que ocorreu em janeiro de 2023, quando vieram à tona inconsistências contábeis envolvendo a Americanas. Naquele momento, bancos e fundos adotaram uma postura de maior cautela e reduziram o acesso ao crédito da companhia, de sua cadeia de fornecedores e de concorrentes do setor.

O receio de que os problemas se espalhassem para outras empresas acabou contribuindo para uma redução da oferta de crédito ao varejo.

Juros altos pressionam modelo de negócios

Apesar da preocupação semelhante, as origens das crises são diferentes.

No caso da Americanas, a crise veio após a descoberta de inconsistências contábeis e de operações de risco sacado não registradas. Já as dificuldades enfrentadas pelas Casas Bahia estão relacionadas a fatores macroeconômicos, especialmente ao impacto dos juros elevados sobre um modelo de negócios dependente do consumo a prazo.

A preocupação das instituições financeiras é que dificuldades enfrentadas por empresas do setor aumentem o risco de inadimplência e transformem novos empréstimos em prejuízos.

Bancos estão entre os principais credores das Casas Bahia

Os dados apresentados pelas Casas Bahia à Justiça mostram que instituições financeiras estão entre os principais credores da companhia.

O Banco Digio, instituição digital do Bradesco, aparece como principal credor, com R$ 2,6 bilhões a receber.

Na sequência estão:

  • Banco do Brasil: R$ 2,4 bilhões;
  • Bradesco: R$ 1,5 bilhão;
  • Riza Gestora de Recursos: R$ 803 milhões;
  • Redasset Gestão: R$ 585 milhões.

A exposição do sistema financeiro ao setor aumenta a preocupação com possíveis efeitos sobre a concessão de crédito para outras empresas do varejo.

Restrição de crédito já ocorreu após crise da Americanas

Dados do Banco Central mostram que, nos seis meses seguintes ao anúncio do rombo da Americanas, o volume de crédito bancário concedido às empresas do varejo caiu R$ 12 bilhões.

No mesmo período, a exposição dos bancos ao setor recuou 5%.

O comportamento foi diferente em outros segmentos da economia.

Na construção civil, o total de empréstimos cresceu 8,4%, o equivalente a um aumento de R$ 8,7 bilhões. Nos serviços voltados às famílias, houve crescimento de 0,4% no volume de crédito.

Já a carteira destinada ao setor de transportes permaneceu estável.

Efeito pode atingir empresas do varejo

A possibilidade de novas restrições preocupa empresas que dependem de financiamento para manter estoques, realizar investimentos e sustentar suas operações.

O temor no mercado é de que os problemas financeiros de grandes companhias aumentem a percepção de risco e levem instituições financeiras a adotar critérios mais rigorosos para liberar recursos ao varejo.

A situação das Casas Bahia e da Marabraz, portanto, passou a ser acompanhada não apenas pelos credores e consumidores das empresas, mas também por outros participantes do mercado varejista.