Quatro agentes são suspeitos de abordar motorista durante o serviço, levá-lo para local isolado sob ameaça e roubar celulares
Quatro policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) sob suspeita de praticarem roubo qualificado contra um caminhoneiro durante o horário de serviço. O caso aconteceu em setembro de 2025 e a ação penal, decorrente da Operação Rapina, foi recebida pela Vara da Auditoria da Justiça Militar Criminal de Curitiba.
Segundo a denúncia, os policiais integravam uma equipe que estava em uma viatura quando abordaram um motorista de caminhão-cegonha no pátio de um posto de combustíveis às margens da BR-376.
Caminhoneiro teria sido levado para local isolado
Conforme o Ministério Público, os policiais teriam abordado a vítima com armas de fogo em punho e, sob ameaça, obrigado o caminhoneiro a conduzir o veículo de carga até um local isolado.
No local, os agentes são suspeitos de terem levado aparelhos celulares para proveito próprio.
Ainda segundo a denúncia, não teria sido realizado qualquer registro ou apreensão formal que conferisse legalidade à ação.
Justiça mantém medidas cautelares
Após o recebimento da ação penal, a Justiça Militar manteve as medidas cautelares diversas da prisão que já haviam sido determinadas em fevereiro de 2026 contra os quatro investigados.
Entre as restrições impostas estão:
- afastamento das atividades operacionais;
- proibição do uso de fardamento;
- proibição do uso de armamento da corporação ou particular;
- suspensão do acesso aos sistemas de investigação policial;
- proibição de deixar a comarca sem autorização judicial;
- obrigação de comparecer aos atos processuais.
Os policiais respondem à ação penal sob suspeita de roubo qualificado.
MP pede indenização de R$ 50 mil
Além da responsabilização na esfera penal militar, o Ministério Público requereu que seja estabelecido um valor mínimo de R$ 50 mil para indenização por danos morais em favor da vítima.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) também solicitou o compartilhamento do procedimento investigatório com a Corregedoria da Polícia Militar do Paraná.
A medida tem o objetivo de permitir a apuração administrativa dos fatos e de eventuais outros crimes identificados durante o processo.
Mandados foram cumpridos em Curitiba e Joinville
O caso teve novos desdobramentos em 26 de fevereiro de 2026, quando os quatro policiais foram alvo de mandados de busca e apreensão em Curitiba e Joinville, em Santa Catarina.
A ação também fez parte da Operação Rapina, deflagrada pelo núcleo de Curitiba do Gaeco, com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Paraná e do Gaeco de Santa Catarina.
As ordens foram autorizadas pela Vara de Auditoria da Justiça Militar do Paraná.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos celulares, documentos, valores e outros materiais.
O processo segue na Justiça Militar para apuração dos fatos e da eventual responsabilidade dos policiais.





