Economia brasileira cresceu 0,5% entre abril e junho, abaixo dos 1,1% registrados no primeiro trimestre; recuo no consumo das famílias e desaceleração de serviços e indústria influenciaram o resultado.
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, mas apresentou desaceleração em comparação com os primeiros três meses do ano, quando a economia havia avançado 1,1%.
Um dos principais fatores para o ritmo menor de crescimento foi a queda de 0,4% no consumo das famílias, indicador que impacta diretamente o desempenho da economia, especialmente o setor de serviços.
O recuo interrompe uma sequência de dois trimestres consecutivos de resultados positivos no consumo das famílias, registrada no último trimestre de 2025 e no primeiro trimestre deste ano.
Juros altos e endividamento pressionam consumo
A redução no consumo aconteceu mesmo em um cenário de elevada ocupação no mercado de trabalho. A taxa de desemprego no trimestre encerrado em julho caiu para 5,3%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad).
Por outro lado, o endividamento das famílias e o nível elevado dos juros continuam pressionando o orçamento dos consumidores.
Dados apontam que o índice de endividamento das famílias chegou a 49,8%, enquanto a taxa básica de juros, a Selic, está em 14% ao ano.
Os juros elevados também afetam o acesso ao crédito. Mesmo após uma redução de 6,2 pontos percentuais em julho, a taxa média cobrada no cartão de crédito rotativo alcançou 436,2% ao ano.
Serviços e indústria perderam força
Os dados mostram que os dois maiores setores da economia também desaceleraram entre o primeiro e o segundo trimestre.
O setor de serviços cresceu 0,2%, abaixo dos 0,5% registrados no trimestre anterior.
A indústria avançou apenas 0,1%, depois de ter registrado crescimento de 1% entre janeiro e março.
Dentro da indústria, o principal destaque positivo foi a atividade das indústrias extrativas, que cresceu 3,4%.
Outros segmentos, porém, apresentaram queda:
- Eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos: -1,1%;
- Indústria de transformação: -0,4%;
- Construção: -0,4%.
Agropecuária foi o destaque positivo
Entre os três grandes setores da economia, a agropecuária foi a única a acelerar o ritmo de crescimento.
O setor avançou 2,8% no segundo trimestre, após crescimento de 2% no período anterior.
O resultado foi impulsionado pelo desempenho da pecuária e pelo aumento nas estimativas de produção e produtividade de culturas como a soja, com alta de 5,3%, e o café, com crescimento de 15,1%.
Por outro lado, algumas culturas apresentaram desempenho mais fraco, como o arroz, com queda de 11,3%, e o algodão, que recuou 6,7%. A produção de milho não apresentou crescimento.
Apesar do avanço expressivo da agropecuária, o setor possui menor peso na composição da economia em comparação com serviços e indústria, o que não foi suficiente para manter o mesmo ritmo de expansão registrado no primeiro trimestre.
Exportações também recuaram
Pelo lado da demanda, houve queda de 0,8% nas exportações de bens e serviços durante o segundo trimestre.
A formação bruta de capital fixo, indicador relacionado aos investimentos na economia, cresceu 1,2%, mas também desacelerou em relação ao trimestre anterior, quando havia registrado avanço de 3,4%.
Entenda o que é o PIB
O Produto Interno Bruto representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em um país durante determinado período.
O indicador é divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e é utilizado para medir o desempenho da economia.
Em 2025, a economia brasileira registrou crescimento de 2,3%, abaixo da expansão de 3,4% registrada em 2024.





