Alemanha entra em alerta máximo após onda de sabotagens: Rússia é colocada sob suspeita
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Alemanha entra em alerta máximo após onda de sabotagens: Rússia é colocada sob suspeita

03/09/2026 | 18:03 Por Redação MZ

Dois episódios contra a rede elétrica ocorreram em menos de 24 horas enquanto autoridades investigam possível terrorismo e ampliam preocupação com uma guerra híbrida.

Alemanha investiga sequência de ataques

A Alemanha intensificou o alerta de segurança após dois episódios de possível sabotagem contra a rede elétrica registrados em menos de 24 horas. As ocorrências são investigadas pela polícia enquanto autoridades avaliam se existe uma ligação entre os ataques e outras ações recentes contra estruturas estratégicas do país.

A nova onda de suspeitas ocorre em um momento de forte tensão envolvendo Berlim e Moscou. Na terça-feira (1º), o governo alemão afirmou ter concluído que a Rússia estava por trás de uma tentativa de ataque com drone contra um avião de carga ucraniano no aeroporto de Leipzig/Halle.

A acusação foi negada pelo governo russo, que afirma não haver provas de participação no episódio.

No dia seguinte, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que o ataque apresentava características de um ato de terrorismo patrocinado por um Estado.

Dois episódios atingiram estruturas de energia

Um dos casos ocorreu nas proximidades de Bergheim, no oeste da Alemanha.

A polícia investiga um possível ato de “vandalismo premeditado” contra a infraestrutura técnica de uma subestação de energia. O incidente aconteceu na terça-feira (1º), por volta das 15h, no horário de Brasília.

As autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre os danos provocados, mas informaram que o fornecimento de energia não chegou a ser interrompido.

A Amprion, empresa responsável por parte da operação da rede elétrica alemã, afirmou que provavelmente houve uma interferência externa. Segundo a companhia, tanto o abastecimento quanto a estabilidade do sistema foram mantidos.

Cinco unidades de usinas foram afetadas

A RWE informou que o episódio provocou a saída temporária de cinco unidades de usinas termelétricas movidas a lignito.

As instalações possuem, juntas, capacidade de geração de 4.200 megawatts.

Uma das unidades, de 600 megawatts, já havia sido reconectada à rede.

Apesar do impacto sobre as instalações, o incidente não provocou interrupção no fornecimento de energia na região.

Outro ataque ocorreu em Brandemburgo

Também na terça-feira, um segundo episódio foi registrado no estado de Brandemburgo, no leste do país.

Dispositivos contendo material condutor foram utilizados para danificar linhas de transmissão em um dos principais pontos da rede de alta tensão da região.

O ministro do Interior de Brandemburgo, Jan Redmann, afirmou que existem possíveis semelhanças entre os dois casos, mas ressaltou que a investigação ainda está em uma fase inicial.

Ele também destacou que o episódio apresenta diferenças em relação ao incêndio criminoso ocorrido em 2024 e atribuído a extremistas de esquerda, que afetou o fornecimento de energia da fábrica da Tesla na Alemanha.

Por enquanto, nenhuma hipótese sobre os responsáveis pelos novos ataques foi descartada.

Possível guerra híbrida preocupa autoridades

A sequência de episódios aumentou a preocupação das autoridades alemãs com o que é classificado como guerra híbrida.

O conceito envolve diferentes tipos de ações coordenadas ou simultâneas, como ataques convencionais, sabotagens, operações cibernéticas e campanhas de desinformação.

A possibilidade de novos ataques contra estruturas consideradas essenciais fez o país aumentar a atenção sobre instalações de energia e outros pontos estratégicos.

Leonhard Birnbaum, presidente da E.ON, uma das maiores operadoras de redes elétricas da Europa, já havia alertado que não é possível garantir proteção completa contra esse tipo de ameaça.

Segundo ele, empresas podem dificultar as ações de criminosos, mas não conseguem impedir completamente todos os ataques.

Eleição estadual aumenta tensão política

Os episódios também acontecem às vésperas de uma eleição estadual em Saxônia-Anhalt.

O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) aparece na liderança das pesquisas e pode conquistar o governo estadual pela primeira vez.

A legenda possui forte apoio no leste alemão e defende o fim do apoio da Alemanha à Ucrânia, além da retomada de acordos de energia com Moscou.

Antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, esses acordos garantiam aos alemães acesso a petróleo e gás russos mais baratos.

Alexander Throm, presidente da comissão de Assuntos Internos do Parlamento alemão, classificou como “extremamente suspeito” o número de incidentes registrados às vésperas da eleição.

Rússia rejeita acusações

Moscou nega qualquer envolvimento nas ações atribuídas à Rússia e afirma que as acusações feitas pelo governo alemão não são acompanhadas de provas suficientes.

A Rússia chegou a convocar o embaixador alemão para prestar esclarecimentos após as acusações relacionadas ao ataque com drone em Leipzig/Halle.

Enquanto isso, as autoridades alemãs continuam investigando os episódios registrados na rede elétrica e tentando determinar se existe alguma conexão entre os casos.

Até o momento, não há confirmação de que a Rússia seja responsável pelas sabotagens contra as instalações de energia.

A polícia também não divulgou prisões relacionadas aos episódios. As investigações devem analisar documentos, imagens e outros elementos para identificar os responsáveis e esclarecer a motivação dos ataques.