O Paraná passou de 1.300 para 11.950 estudantes identificados com altas habilidades ou superdotação entre 2021 e 2026, resultado da criação de um protocolo próprio, ampliação da estrutura especializada e organização de uma política estadual voltada à identificação e ao desenvolvimento desses alunos.
O Paraná ampliou de forma expressiva a identificação de estudantes com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) na rede estadual. O número passou de 1.300 alunos em 2021 para 11.950 em 2026, um aumento de mais de 10 mil estudantes em cinco anos.
Crescimento das identificações
A evolução ocorreu principalmente após a criação de uma estrutura específica para atender esse público:
- 2021: 1.300 estudantes identificados;
- 2022: 3.387;
- 2023: 8.288;
- 2024: 10.245;
- 2025: 11.608;
- 2026: 11.950.
O principal marco foi 2022, quando a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) criou o Programa Altas Habilidades/Superdotação Paraná, desenvolvido pelo Departamento de Educação Inclusiva e pelo Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação.
A iniciativa permitiu organizar um processo mais sistemático para identificar esses estudantes e oferecer estratégias pedagógicas adequadas às diferentes potencialidades.
Paraná passou a usar protocolo próprio
Desde 2022, o Estado utiliza um protocolo próprio para identificar estudantes que apresentam indicadores de altas habilidades ou superdotação.
A identificação pode começar pela observação de professores e equipes escolares, por uma solicitação da família ou até mesmo pelo próprio estudante.
Pais e responsáveis também podem procurar a escola ou o Núcleo Regional de Educação (NRE) para obter orientação.
Um dos mecanismos utilizados pela rede é a análise de resultados de avaliações, como a Prova Paraná. Estudantes que apresentam desempenho elevado em determinada área podem ser encaminhados para uma avaliação pedagógica mais detalhada.
Identificação não depende apenas de notas
O processo não considera somente notas escolares ou testes de inteligência.
Professores especializados em Educação Especial analisam diferentes aspectos, utilizando:
- Questionários respondidos pelo estudante;
- Informações fornecidas pela família;
- Avaliações dos professores;
- Observação contínua;
- Atividades pedagógicas;
- Outros indicadores de potencialidades.
Quando necessário, avaliações complementares também podem ser utilizadas.
Isso é importante porque as altas habilidades podem aparecer de maneiras diferentes. Um estudante pode se destacar em matemática, linguagem, artes, criatividade, liderança, raciocínio lógico ou na capacidade de solucionar problemas, sem necessariamente apresentar desempenho acima da média em todas as disciplinas.
Quatro frentes de atendimento
O Programa Altas Habilidades/Superdotação Paraná está estruturado em quatro áreas principais:
- Identificação e acolhimento;
- Suplementação e enriquecimento curricular;
- Acompanhamento pedagógico e socioemocional;
- Formação e suporte técnico para profissionais da educação e famílias.
A ideia é que identificar o estudante seja apenas o primeiro passo. Depois disso, a escola deve compreender como ele aprende, quais são seus interesses e quais desafios podem estimular seu desenvolvimento.
Estrutura disponível no Paraná
Atualmente, a rede estadual conta com:
- 16 Escolas de Referência em AH/SD, distribuídas por 10 municípios;
- 315 Salas de Recursos Multifuncionais, em 165 escolas de 93 municípios;
- Atendimento em 473 escolas de tempo integral;
- 169 Turmas PR+;
- Ações presentes nos 32 Núcleos Regionais de Educação (NRE).
As Turmas PR+ atendem estudantes com elevado potencial e desenvolvem atividades de enriquecimento acadêmico, científico e cultural.
Nas escolas regulares, o Atendimento Educacional Especializado (AEE) pode ser realizado no contraturno nas Salas de Recursos Multifuncionais. Já nas escolas de tempo integral, o atendimento é incorporado à rotina escolar, com professores especializados trabalhando em conjunto com os docentes das demais disciplinas.
Atividades vão além do currículo tradicional
As atividades são definidas de acordo com as características e interesses de cada estudante.
Podem incluir:
- Projetos de pesquisa;
- Iniciação científica;
- Robótica;
- Tecnologia;
- Ciência;
- Artes;
- Literatura;
- Escrita criativa;
- Xadrez;
- Aulas enriquecidas.
Além do trabalho diretamente com os estudantes, o programa oferece formação e orientação para professores, equipes pedagógicas e famílias.
Nova política nacional
Em junho de 2026, o tema também ganhou uma política específica em âmbito federal.
A Política Nacional para Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação prevê, entre outras medidas, a criação de um cadastro nacional para identificar e acompanhar esse público.
Objetivo é garantir desenvolvimento adequado
A identificação tem finalidade principalmente pedagógica. O estudante com altas habilidades continua frequentando a classe comum e convivendo com os demais colegas, mas pode precisar de atividades mais desafiadoras, aprofundamento de conteúdos e estratégias diferenciadas.
O objetivo é evitar que alunos com elevado potencial fiquem sem estímulos adequados. Com a identificação, a escola consegue reconhecer melhor os talentos individuais e planejar atividades que permitam que cada estudante avance de acordo com suas próprias capacidades e interesses.





