André Mendonça determina afastamento de Andrei Rodrigues da direção da PF
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André Mendonça determina afastamento de Andrei Rodrigues da direção da PF

08/09/2026 | 11:25 Por Redacao

Ministro do STF também afastou preventivamente o diretor de Inteligência da Polícia Federal, Leandro Almada

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal.

Na mesma decisão, Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.

Decisão envolve relatório produzido pela PF

Segundo a decisão, o afastamento foi motivado pela produção de um relatório interno da Polícia Federal que teria sido utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes, também do STF, para solicitar uma investigação contra Mendonça.

A apuração envolve suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade relacionadas à condução do caso envolvendo o Banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A decisão de Mendonça ainda precisa ser analisada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, formada pelos ministros Luiz Fux, presidente do colegiado, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Nunes Marques e pelo próprio André Mendonça.

Fux convocou uma sessão virtual extraordinária nesta terça-feira para analisar a decisão que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues.

Andrei foi comunicado antes de evento da PF

Andrei Rodrigues recebeu a notícia sobre seu afastamento antes de discursar em um evento de abertura de curso para agentes da Polícia Federal.

Na Academia Nacional de Polícia, em Brasília, 735 alunos aguardavam sentados havia cerca de 40 minutos por um representante da direção da PF para se manifestar sobre o ocorrido.

Mensagens de Daniel Vorcaro estão no centro da crise

O caso envolve mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, reveladas pelo Estadão e também acessadas pela Folha.

Às vésperas de ser preso pela Polícia Federal, Vorcaro teria enviado mensagens a Alexandre de Moraes pedindo informações sobre a investigação contra ele. Segundo o relato, o empresário também teria marcado encontros com o ministro e perguntado se deveria deixar o país.

O relatório contra Moraes foi produzido pela Polícia Federal a pedido de André Mendonça. O documento também registra pedidos para que fossem acionados o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Moraes, por sua vez, reagiu e, também com base em um documento produzido pela polícia, pediu que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade.

O relatório utilizado por Moraes é classificado pela própria Polícia Federal como “sem valor probatório”. O documento também apresenta queixas envolvendo Jorge Messias, advogado-geral da União.

Fachin pediu informações aos envolvidos

Na semana passada, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que André Mendonça, Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues prestassem informações sobre os diálogos mantidos com Daniel Vorcaro.

O afastamento de Andrei Rodrigues representa mais um capítulo da crise envolvendo os ministros do Supremo e a atuação da Polícia Federal.

Na decisão desta terça-feira, Mendonça justificou a medida citando a “superlativa gravidade e ilicitude na produção dos ‘relatórios de inteligência’ publicizados pelo Ministro Alexandre de Moraes”.

Segundo o ministro, a situação “impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo vilipendiadas”.