Bote-robô ucraniano equipado com metralhadora enfrentou um modelo russo em confronto no mar Negro
A guerra entre Ucrânia e Rússia registrou o que é apontado como a primeira batalha naval direta entre drones da história. O confronto ocorreu no mar Negro e envolveu um bote-robô ucraniano que levou vantagem sobre um equipamento russo.
A Marinha ucraniana divulgou, no sábado (12), um vídeo sem data informada. Nas imagens, um modelo Sargan-3000, equipado com uma metralhadora de 12,7 mm, aparece enfrentando um drone semelhante, mas não identificado, utilizado pelas forças russas.
Sargan-3000 foi utilizado no confronto
O Sargan, cujo nome vem da palavra ucraniana para peixe-agulha, foi apresentado em abril deste ano.
Segundo a Marinha ucraniana, o serviço secreto militar identificou o alvo, que estava sendo monitorado por um drone aéreo, conforme aparece nas imagens, e enviou o bote para realizar o combate.
A Rússia não comentou o vídeo. Um analista militar de Moscou, porém, afirmou que as imagens eram legítimas e que, até então, não havia registro de um confronto desse tipo.
Embora represente apenas um episódio dentro da guerra, que já se arrasta por quatro anos e meio, o confronto é considerado um marco na história naval.
Primeiro combate direto entre drones
Drones aquáticos, tanto submarinos quanto de superfície, são utilizados no conflito desde os primeiros momentos da guerra. No entanto, até agora não havia ocorrido um embate direto entre robôs, que utilizam algum nível de inteligência artificial em seus comandos.
O Sargan foi desenvolvido como mais uma plataforma para ataques suicidas depois que a Marinha da Ucrânia foi praticamente destruída pelas forças russas no conflito.
O emprego desses drones por Kiev foi considerado eficiente, levando a Frota do Mar Negro russa a procurar refúgio em portos mais distantes.
Mesmo assim, a força naval russa na região sofreu perdas. O site Oryx, que monitora perdas militares comprovadas, contabiliza 25 navios e um submarino destruídos, incluindo equipamentos atingidos por mísseis e drones aéreos.
Rússia também passou a utilizar drones aquáticos
Um dos episódios mais conhecidos do início da guerra foi o afundamento do cruzador Moskva, nau-capitânia da Frota do Mar Negro, atingido por mísseis costeiros ucranianos.
A partir de 2024, os drones passaram a ganhar ainda mais importância no conflito e acrescentaram um novo elemento à estratégia de guerra assimétrica.
Posteriormente, os russos também desenvolveram seus próprios drones aquáticos. O primeiro sucesso atribuído a esse tipo de equipamento ocorreu contra um navio mercante ucraniano no fim de 2025.
Mar Negro se tornou importante frente de ataques
O mar Negro tem sido um dos principais teatros da guerra em 2026. Ao ampliar sua campanha de drones e mísseis de longa distância, Kiev passou a mirar navios graneleiros russos que deixam a região do rio Don.
A ofensiva provocou uma forte reação russa contra portos e embarcações ucranianas na região de Odessa, principal porto do país.
Estimativas preliminares citadas no contexto do conflito apontam queda de 75% nas exportações de grãos da Ucrânia, principal fonte de renda do país, e de 60% na Rússia.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, chegou a propor uma trégua específica para a região, mas a iniciativa não teve sucesso.
Ataques também atingem infraestrutura russa
Zelenski mantém ainda uma campanha contra a infraestrutura logística e energética da Rússia, com ataques direcionados a refinarias.
A ofensiva contribuiu para uma crise de abastecimento de combustíveis na Rússia. O país precisou restringir a exportação de diesel e gasolina e também recorrer à importação de combustíveis.
A situação teria afetado inclusive a popularidade do presidente Vladimir Putin, segundo pesquisas citadas no contexto do conflito.
Trump pede que Ucrânia não ataque diesel russo
A retaliação russa também se intensificou, com aumento dos ataques com mísseis balísticos contra Kiev e outros centros urbanos.
O agravamento da violência fez a mortalidade de civis no conflito atingir o nível mais alto desde o primeiro mês da guerra.
Neste domingo (13), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversou por telefone com Zelenski. Ao falar com jornalistas na Irlanda, Trump afirmou que pediu ao presidente ucraniano que parasse de atacar o diesel russo.
Segundo Trump, existem outros alvos possíveis e não seria necessário atacar o combustível russo. Ele não informou qual teria sido a reação de Zelenski.
Negociações ainda não têm data definida
Trump retomou na semana passada os esforços para tentar mediar o conflito. Seus enviados, Steve Witkoff e Jared Kushner, estiveram em reuniões com Putin e Zelenski.
Ainda não há definição sobre quando as negociações serão retomadas. Caso ocorram, a previsão é de que possam ser realizadas em Abu Dhabi.





