Mendonça derruba sigilo de investigação sobre rede de pagamentos de Vorcaro
Política

Mendonça derruba sigilo de investigação sobre rede de pagamentos de Vorcaro

14/09/2026 | 14:15 Por Redacao

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou nesta segunda-feira (14) o segredo de justiça de uma nova frente de investigação sobre a rede de pagamentos ligada a Daniel Vorcaro e ao extinto Banco Master.

O pedido havia sido feito pelo presidente do STF, Edson Fachin, após solicitação do ministro Alexandre de Moraes, que recebeu apoio da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Moraes solicitou a publicidade de mais um inquérito relacionado ao caso antes da sessão marcada para esta terça-feira (15), quando o plenário deve discutir se a Corte irá aprofundar a apuração sobre sua relação com o antigo controlador do Banco Master.

Investigação analisa rede de pagamentos

Segundo o STF, o tribunal já tornou públicos 53 procedimentos de apuração envolvendo a instituição financeira após requerimento de Fachin.

A nova frente trata especificamente de movimentações financeiras e da estrutura de pagamentos ligada ao grupo.

A investigação busca detalhar como funcionava a rede de pagamentos associada a Vorcaro e ao Banco Master. A expectativa é que o documento apresente informações adicionais sobre operações realizadas pelo grupo e eventuais conexões com outros investigados.

Em manifestação, a PGR classificou o documento como relevante para a compreensão da totalidade dos fatores relacionados ao caso.

PGR pediu abertura de todos os documentos

Na sexta-feira (11), a Procuradoria-Geral da República pediu ao STF a derrubada total do sigilo de todos os documentos relacionados ao Caso Master.

Fachin atendeu ao pedido e determinou que André Mendonça retirasse o sigilo total do caso no prazo de 24 horas.

A medida ocorreu após Moraes afirmar que Mendonça havia sido seletivo na divulgação dos documentos e defender a retirada total do sigilo. O ministro Cristiano Zanin também havia solicitado a Fachin a íntegra da investigação da Polícia Federal que estava sob posse de Mendonça.

Fim do sigilo provocou reações

A determinação de Fachin levou Mendonça a retirar o sigilo do Caso Master, liberando o acesso público aos autos do processo na noite de quinta-feira (10).

A decisão provocou manifestações no cenário político, incluindo declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, parlamentares e líderes do Congresso.

Nos bastidores do STF, também houve discussões sobre a possibilidade de a sessão destinada a tratar da situação dos magistrados citados ocorrer de portas fechadas.

Documentos apontam contratos e suspeitas

Com a abertura dos documentos, relatórios da Polícia Federal detalharam pagamentos e contratos mantidos por Daniel Vorcaro com familiares e fundos ligados a magistrados.

Entre os documentos divulgados está o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master, que registra honorários milionários por serviços jurídicos.

Os relatórios também apontaram suspeitas envolvendo o ministro Dias Toffoli em transações relacionadas a fundos de investimento.

Em meio à crise, Lula afirmou que Moraes e Mendonça devem responder caso sejam considerados culpados.

Investigação também apura rede de proteção

As apurações sobre Daniel Vorcaro apontaram uma suposta rede paralela de proteção e contrainteligência montada em favor do banqueiro.

Segundo os relatórios, um grupo de policiais teria recebido pagamentos para violar sistemas e monitorar adversários do empresário.

As investigações também indicaram que Vorcaro teria desconfiado de um veículo da Polícia Federal e acionado milicianos para investigar agentes federais.

Outro ponto investigado envolve uma suposta atuação para recuperar a conta de uma atriz, em um caso no qual o PCC foi citado.

Os investigadores também registraram que Vorcaro teria tomado conhecimento antecipado de uma operação e planejado uma fuga para o exterior antes do cumprimento das ordens judiciais, contando com o apoio de uma servidora do Ministério Público Federal investigada por suposto vazamento de dados.

Peritos encontraram contabilidade paralela

O mapeamento financeiro realizado pelos peritos também revelou um organograma de gastos operacionais e estratégias de imagem relacionadas ao ex-controlador do Banco Master.

Planilhas apreendidas mostraram gastos milionários de Vorcaro. Os agentes também localizaram um quadro com um possível fluxo de caixa do Banco Master, indicando movimentações consideradas suspeitas.

Para preservar a imagem da instituição financeira e atacar críticos nas redes sociais, a Polícia Federal também mapeou 22 influenciadores suspeitos de participar de uma campanha favorável a Vorcaro.

Investigações envolvem órgãos públicos

As investigações do Caso Master também identificaram aplicações e transferências de recursos públicos e privados que estão sob análise.

As apurações apontaram que integrantes da cúpula da supervisão do Banco Central prestavam consultoria a Vorcaro.

Também foram identificados aportes de instituições públicas, entre eles o investimento de R$ 40 milhões feito pelo AparecidaPrev no Banco Master sem aval, segundo a investigação.

Outro ponto envolve o BRB, que teria transferido R$ 12,2 bilhões ao Banco Master por meio da aquisição de carteiras de crédito em um período de cinco meses.

Caso também alcançou políticos

Os desdobramentos das operações da Polícia Federal também levaram a investigação a figuras do cenário político nacional.

O inquérito relacionado ao financiamento de uma produtora cinematográfica resultou na inclusão de Flávio Bolsonaro como investigado pela PF no caso Dark Horse.

Relatórios apontaram ainda que Flávio teria se encontrado com Vorcaro antes de um áudio relacionado ao filme. O parlamentar classificou as suspeitas como “mais do mesmo” após a divulgação do encontro.

Em outra frente de investigação financeira internacional, a Polícia Federal indicou que Eduardo Bolsonaro teria orientado remessas de R$ 134 milhões para um fundo nos Estados Unidos.