Operação da PF mira grupo ligado à máfia italiana que atuava no Paraná
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Operação da PF mira grupo ligado à máfia italiana que atuava no Paraná

17/09/2026 | 08:34 Por Redacao

Ação cumpre sete mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão; investigação aponta uso do Porto de Paranaguá para envio de cocaína à Europa

Integrantes de uma organização criminosa brasileira que atuava em parceria com integrantes da máfia italiana são alvo de uma operação da Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (17).

A ação cumpre sete mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão. O grupo investigado utilizava o Porto de Paranaguá, no Litoral do Paraná, para a movimentação de grandes carregamentos de cocaína com destino à Europa.

A operação também inclui o sequestro de imóveis e o bloqueio de bens e valores existentes em contas bancárias e aplicações financeiras de pessoas físicas e jurídicas investigadas.

Operação Eredità investiga estrutura criminosa transnacional

Batizada de Operação Eredità, a ação tem como objetivo desarticular e impedir a continuidade de uma estrutura criminosa transnacional formada pela associação entre integrantes da máfia italiana e organizações criminosas brasileiras.

De acordo com as investigações, o principal negócio do grupo era o envio de grandes carregamentos de cocaína da América do Sul para a Europa, principalmente por meio do Porto de Paranaguá.

A investigação teve origem no aprofundamento de fatos apurados nas operações Retis e Spiderweb, que identificaram a associação entre integrantes da máfia italiana e organizações criminosas brasileiras responsáveis por fornecer a logística necessária para a exportação dos carregamentos.

Estrutura criminosa continuou ativa após prisões em 2019

Mesmo após a prisão de dois mafiosos italianos em 2019, na cidade de Praia Grande, em São Paulo, sucessivas apreensões de cocaína foram realizadas.

Segundo as investigações, a estrutura criminosa permaneceu ativa por meio de familiares e antigos associados, que deram continuidade às etapas de aquisição, transporte, armazenamento e envio da droga para a Europa.

O destino incluía o abastecimento de um clã mafioso estabelecido na região de Piemonte, no norte da Itália.

A continuidade das atividades ocorreu por meio de um processo de sucessão. Familiares e associados do clã mafioso passaram a coordenar os negócios ilícitos a partir do Brasil, mantendo os vínculos anteriormente estabelecidos com fornecedores de cocaína, operadores logísticos e financeiros.

Mais de 4,6 toneladas de cocaína foram apreendidas

As investigações apontaram que a organização continuou utilizando as mesmas rotas, mecanismos financeiros e rede de contatos dos mafiosos italianos presos pela Polícia Federal em 2019.

O trabalho investigativo comprovou o vínculo dessa estrutura criminosa com pelo menos 11 apreensões realizadas entre 2019 e 2020.

Ao todo, foram apreendidas mais de 4,6 toneladas de cocaína, que tinham como destino diferentes países europeus, entre eles Itália, Bélgica, Holanda, França e Portugal.

Parte desse volume, aproximadamente 2,2 toneladas, estava armazenada no Brasil quando ocorreram as prisões de 2019 e posteriormente foi movimentada pela organização reorganizada.

Organização utilizava comunicação criptografada

A investigação também identificou um elevado grau de sofisticação tecnológica e operacional empregado pela organização criminosa transnacional.

Os investigados utilizavam plataformas de comunicação criptografadas, com recursos tecnológicos de contrainteligência, além de operadores financeiros especializados em transferências clandestinas internacionais.

Também foram identificados mecanismos voltados à ocultação patrimonial e à lavagem dos lucros obtidos com o narcotráfico.

As evidências indicam que parte relevante dos recursos provenientes da venda da cocaína na Europa era reinvestida em novas operações criminosas, mantendo um ciclo de financiamento das remessas de drogas da América do Sul para o continente europeu.

Estrutura financeira movimentava recursos ilícitos

Os investigadores identificaram uma estrutura financeira complexa utilizada para movimentar, ocultar e dissimular grandes quantias provenientes do narcotráfico internacional.

Entre os mecanismos identificados estão operações clandestinas de remessa internacional de valores, operadores financeiros especializados em sistemas paralelos de compensação, empresas de fachada, aquisição de imóveis e bens de elevado valor econômico.

Também foram identificadas movimentações financeiras realizadas em diferentes países com o objetivo de dificultar o rastreamento dos recursos ilícitos.

Investigados podem responder por diversos crimes

Os investigados poderão responder, de acordo com suas responsabilidades individuais, pelos crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de outros delitos que possam ser identificados durante o andamento das investigações.

Cooperação entre Brasil e Itália

A investigação contou com um trabalho contínuo de cooperação jurídica e policial internacional entre autoridades brasileiras e italianas.

A atuação conjunta permitiu reconstruir a cadeia criminosa transnacional, desde a aquisição da droga na América do Sul até sua distribuição em território europeu.

A Operação Eredità é resultado do trabalho desenvolvido no âmbito da Equipe Conjunta de Investigação (ECI) formada entre Brasil e Itália entre 2020 e 2025.

Do lado brasileiro, participaram a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Na Itália, participaram o Departamento Anticrime de Turim do Raggruppamento Operativo Speciale Carabinieri (ROS Carabinieri) e o Ministério Público de Turim – Diretoria Antimáfia.

A constituição da ECI permitiu a integração entre autoridades dos dois países e o compartilhamento direto de informações e provas relacionadas à conexão entre a máfia italiana e organizações criminosas brasileiras.

Operação também envolve ações realizadas em 2024

A Operação Eredità também é um desdobramento das operações Samba e Mafiusi, deflagradas no Brasil e na Itália em 10 de dezembro de 2024.

As ações representaram a primeira fase ostensiva de investigações conduzidas pelas autoridades brasileiras e italianas no âmbito da cooperação jurídica e policial internacional.

Europol participou das investigações

A Europol também prestou apoio à investigação, fornecendo relatórios de análise operacional e análises financeiras para rastrear fluxos financeiros ilícitos na Europa.

Investigadores italianos e um especialista financeiro da Europol foram mobilizados para o Brasil para acompanhar a deflagração da operação policial.

A Europol também organizou reuniões operacionais para promover a colaboração entre as autoridades italianas e brasileiras durante a investigação.

O trabalho contou ainda com apoio da rede @ON, financiada pela União Europeia e liderada pela Direção de Investigação Antimáfia (DIA) da Itália.

Operação recebeu nome relacionado à continuidade criminosa

O nome Eredità, que significa “herança” em italiano, faz referência à continuidade das atividades criminosas e ao processo de sucessão operacional identificado durante as investigações.

Segundo o que foi apurado, familiares e associados assumiram funções estratégicas anteriormente desempenhadas por integrantes do clã mafioso, mantendo a continuidade das remessas de cocaína para a Europa mesmo após ações realizadas pelas autoridades brasileiras e italianas.

A operação reforça o trabalho de cooperação internacional no enfrentamento ao tráfico internacional de drogas e ao crime organizado transnacional.