Clínica no Paraná é investigada por manter 72 mulheres em cárcere privado e sob tortura
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Clínica no Paraná é investigada por manter 72 mulheres em cárcere privado e sob tortura

17/09/2026 | 12:42 Por Redacao

Estabelecimento terapêutico funcionava em Terra Roxa, no Oeste do Paraná; operação do MPPR prendeu temporariamente o proprietário e cumpriu buscas em cinco endereços

Uma clínica terapêutica localizada em Terra Roxa, no Oeste do Paraná, é alvo de uma operação do Ministério Público do Paraná (MPPR) que investiga suspeitas de crimes de tortura, sequestro e cárcere privado contra 72 mulheres.

A Operação Aurora foi deflagrada nesta terça-feira (15). Entre as medidas determinadas pela Justiça está a prisão temporária, pelo prazo de 30 dias, do gestor e proprietário do estabelecimento.

Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão domiciliar e pessoal em cinco endereços. As diligências abrangeram a sede da clínica, residências de investigados, uma propriedade rural e veículos automotores.

Durante a operação, um homem foi preso em flagrante por posse ilegal de armas de fogo e munições.

Investigações apontam mulheres mantidas contra a vontade

De acordo com as investigações, a clínica mantinha cerca de 72 internas, incluindo pessoas com deficiência. Segundo os levantamentos realizados, muitas delas eram mantidas no local contra a própria vontade e impedidas de sair.

O MPPR apura ainda a existência de um regime disciplinar considerado punitivo, que teria incluído aplicação de castigos, supressão de visitas familiares e trabalho compulsório.

Uso de medicamentos sedativos é investigado

As investigações também apontaram, preliminarmente, o uso forçado de medicamentos sedativos, que seriam chamados de “Danone” dentro da clínica.

Segundo a apuração, os medicamentos seriam utilizados com o objetivo de provocar a inconsciência das internas.

O Ministério Público também apontou indícios de omissão de socorro médico e relatos de exigências para que as mulheres acolhidas permanecessem em silêncio, sob ameaças, durante inspeções realizadas por órgãos de fiscalização.

Dispositivos apreendidos serão analisados

A Justiça autorizou ainda o afastamento do sigilo e a extração de dados dos dispositivos eletrônicos apreendidos durante a operação.

Os materiais recolhidos nas buscas serão analisados pelo Ministério Público do Paraná. O objetivo é reunir elementos para o prosseguimento das investigações e apurar a eventual responsabilidade penal de todos os envolvidos.

As suspeitas investigadas ainda serão apuradas no decorrer do procedimento.