Inadimplência das famílias chega a 6% em agosto, aponta Banco Central
Brasil

Inadimplência das famílias chega a 6% em agosto, aponta Banco Central

29/09/2026 | 13:26 Por Redacao

Endividamento das famílias alcançou 49,9% da renda anual em julho, enquanto juros do crédito livre chegaram a 61,7% ao ano

A inadimplência das famílias brasileiras chegou a 6% em agosto, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central (BC). O índice avançou 0,2 ponto percentual (p.p.) em relação a julho e 1,1 p.p. na comparação com agosto do ano passado.

No mesmo período, as famílias continuaram registrando aumento no endividamento e enfrentando taxas de juros elevadas nas operações de crédito.

Juros do crédito para pessoas físicas chegam a 61,7%

A taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas alcançou 61,7% ao ano em agosto, alta de 1,4 p.p. em relação a julho e de 2,9 p.p. em 12 meses.

Entre as modalidades que mais pressionaram o indicador estão o cartão de crédito rotativo e o cartão parcelado.

Considerando famílias e empresas, a taxa média de juros das operações com recursos livres ficou em 48,5% ao ano, com aumento de 0,8 p.p. no mês e de 2,3 p.p. em 12 meses.

Entre as empresas, a taxa média ficou em 24,2% ao ano, uma redução de 1 p.p. no mês e de 0,7 p.p. em 12 meses.

Crédito para famílias continua crescendo

Apesar das taxas de juros mais elevadas, o crédito destinado às famílias continuou em expansão.

O saldo das operações de crédito livre para pessoas físicas chegou a R$ 2,6 trilhões, crescimento de 0,8% em agosto e de 10,5% em 12 meses.

O resultado foi impulsionado principalmente pelo financiamento de veículos, cartão de crédito rotativo e crédito consignado para trabalhadores do setor privado, modalidade que concentra as operações do Crédito do Trabalhador.

Nas empresas, o saldo das operações de crédito livre somou R$ 1,6 trilhão, com queda de 0,6% no mês e crescimento de 0,5% em 12 meses.

Segundo o Banco Central, o resultado foi influenciado principalmente pela redução das operações de capital de giro, desconto de duplicatas e outros recebíveis.

O saldo total da carteira de crédito livre atingiu R$ 4,1 trilhões em agosto, alta de 0,2% no mês e de 6,5% em 12 meses.

Endividamento das famílias chega a 49,9%

O endividamento das famílias alcançou 49,9% em julho, aumento de 0,2 p.p. em relação ao mês anterior e de 1,1 p.p. na comparação com julho do ano anterior.

O comprometimento da renda com o pagamento de dívidas ficou em 28,7%, permanecendo estável no mês, mas 1,4 p.p. acima do registrado um ano antes.

A inadimplência da carteira total de crédito do Sistema Financeiro Nacional chegou a 5% em agosto, alta de 0,1 p.p. no mês e de 0,9 p.p. em 12 meses.

Entre as empresas, o índice permaneceu estável em 3,3%.

Crédito total chega a R$ 7,4 trilhões

O saldo das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional atingiu R$ 7,4 trilhões em agosto, crescimento de 0,5% no mês.

As operações destinadas às famílias cresceram 0,8%, chegando a R$ 4,7 trilhões. Já nas empresas, houve redução de 0,1%, para R$ 2,7 trilhões.

Em 12 meses, o crédito total acumulou crescimento de 9,2%. As operações destinadas às pessoas físicas avançaram 10,5%, enquanto aquelas voltadas às empresas cresceram 7,1%.

Considerando empréstimos bancários, títulos de dívida e financiamentos externos, o crédito ampliado ao setor não financeiro chegou a R$ 22 trilhões em agosto, equivalente a 164,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

O saldo cresceu 0,6% no mês e 11,3% em 12 meses.

O crédito ampliado às empresas somou R$ 7,3 trilhões, equivalente a 54,6% do PIB, com expansão de 1,1% em agosto e de 8,7% na comparação anual.

Reservas bancárias aumentam

A base monetária encerrou agosto praticamente estável em relação ao mês anterior, em R$ 432,6 bilhões. Na comparação com agosto de 2025, houve retração de 1,4%.

As reservas bancárias cresceram 4,5% no mês, enquanto o volume de papel-moeda em circulação recuou 0,5%.