O que uma semente crioula revela sobre o futuro da agricultura nos Campos Gerais
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O que uma semente crioula revela sobre o futuro da agricultura nos Campos Gerais

29/09/2026 | 16:03 Por Redação MZ

Uma semente pode parecer pequena demais para carregar uma grande história.

Mas, no campo, algumas delas atravessam gerações.

Foi esse patrimônio que esteve no centro da 12ª Feira Municipal de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade, realizada no último sábado (26), em Palmeira.

O encontro reuniu agricultores familiares, cooperativas, organizações e participantes de diferentes municípios dos Campos Gerais.

Muito além da troca de sementes

A feira não funciona apenas como uma espécie de mercado de sementes.

Ela também preserva conhecimentos que foram construídos por famílias agricultoras ao longo do tempo.

As chamadas sementes crioulas são variedades tradicionais mantidas e selecionadas pelas próprias comunidades. Elas fazem parte da diversidade agrícola e estão ligadas à história de diferentes regiões e famílias.

Na feira, além das sementes, foram apresentados alimentos, mudas, plantas, flores e artesanato.

Também houve atividades voltadas à conservação da agrobiodiversidade e à valorização da agricultura familiar.

Por que isso importa?

Quando uma variedade tradicional deixa de ser cultivada, não desaparece apenas uma semente.

Desaparece também parte do conhecimento associado àquela produção.

É por isso que iniciativas desse tipo entram em uma discussão maior sobre diversidade agrícola, preservação ambiental e soberania alimentar.

Nos Campos Gerais, onde a agricultura ocupa papel importante na economia regional, o tema ganha uma dimensão ainda maior.

Uma tradição que começou em 2000

A feira de Palmeira tem origem em um movimento iniciado no ano 2000, quando agricultores e comunidades passaram a discutir a perda de variedades tradicionais.

Com o passar dos anos, o encontro deixou de ser apenas um espaço de troca de sementes e incorporou produtos da agricultura familiar, artesanato, cultura e conhecimento.

A edição deste ano reuniu diferentes entidades ligadas ao setor.

Entre elas estão a Associação dos Produtores Ecológicos de Palmeira, a Cooperativa da Agricultura Familiar de Palmeira, a AS-PTA, a Casa Monjolo e o Coletivo Triunfo.

A atividade contou ainda com apoio da Prefeitura de Palmeira e da Itaipu Binacional.

No fim das contas, a discussão é maior do que parece.

Preservar uma semente também pode significar preservar uma história, uma forma de produzir e uma possibilidade para as próximas gerações.