Estado recebeu classificação BB, com perspectiva estável, e também manteve nota AAA(bra), a mais alta da escala nacional da agência
O Paraná manteve, pelo terceiro ano consecutivo, a maior classificação possível para um estado na avaliação da Fitch Ratings, uma das principais agências internacionais de classificação de risco.
O Estado recebeu a classificação BB, com perspectiva estável, atingindo novamente o limite máximo permitido pela metodologia da agência para governos estaduais brasileiros. A avaliação considera a posição fiscal e de liquidez do Paraná, além da gestão da dívida e do caixa.
Avaliação individual do Paraná é superior à nota soberana
De acordo com a avaliação, as condições próprias do Paraná sustentam uma classificação superior à nota final atribuída ao Estado. O perfil individual foi classificado como “bbb”, enquanto a classificação do Brasil é “BB (estável)”.
Pela metodologia da Fitch, governos estaduais e municipais brasileiros não podem receber classificação internacional acima da União, devido à influência do governo federal sobre as finanças dos entes.
Entre os fatores apontados estão a imposição de novas responsabilidades de gastos, a interferência na política tributária dos entes e a necessidade de autorização prévia para a contratação de empréstimos com instituições internacionais.
Com isso, a classificação internacional do Paraná somente poderá subir caso a classificação do Brasil também seja elevada.
Estado mantém classificação AAA(bra)
A Fitch também reafirmou o rating de longo prazo “AAA(bra)”, o mais elevado da escala interna da agência.
A classificação reflete, segundo a avaliação, o alto nível de sustentabilidade da dívida e a expressiva posição de caixa do Paraná. A escala nacional permite comparar a qualidade de crédito do Estado com a de outros emissores brasileiros.
A agência também destacou a gestão do caixa paranaense, que combina disponibilidade de recursos para o pagamento de obrigações com receitas provenientes de aplicações financeiras.
As reservas acumuladas e os rendimentos obtidos contribuem para a capacidade de pagamento da dívida e ajudam o Estado a enfrentar pressões sobre as contas públicas.
Gestão financeira e liquidez
A posição de caixa aparece entre os principais fundamentos da avaliação. Conforme as projeções, a estratégia de gestão financeira do Paraná tem garantido recursos prontamente disponíveis para o pagamento da dívida e gerado receitas consideradas expressivas.
A Fitch aponta ainda que esses rendimentos estão entre as fontes de recursos mais importantes do Estado e devem ajudar a compensar a redução projetada das margens operacionais.
O histórico de gestão fiscal também é considerado um fator de sustentação para a manutenção de uma posição de liquidez forte.
O perfil financeiro do Paraná foi classificado na categoria “aaa”. Nas projeções da agência, os recursos de caixa de livre disponibilidade devem corresponder, em média, a 67% da dívida direta durante o período analisado.
As reservas financeiras e a baixa dívida líquida ajustada também contribuem para a capacidade de pagamento do Estado.
Menor dependência de transferências da União
Outro ponto destacado na avaliação é a baixa dependência do Paraná em relação às transferências da União.
Em 2025, esses recursos representaram 24,9% das receitas operacionais do Estado, proporção associada pela agência a uma autonomia fiscal substancial.
Investimentos representam 9,2% das despesas
Os investimentos também foram destacados na avaliação. Em 2025, eles representaram 9,2% das despesas totais, percentual considerado acima da média nacional.
Com base nos dados disponíveis até agosto de 2026, a Fitch estima que essa participação alcance um patamar recorde neste ano.
Pressão sobre as contas públicas
Apesar dos indicadores positivos, a avaliação também aponta desafios para as contas do Paraná.
A Fitch projeta pressão sobre as margens operacionais em razão do crescimento das despesas e de uma expansão mais lenta das receitas. A agência também identifica limitações para ajustar gastos e ampliar a arrecadação.
Mesmo nesse cenário, as reservas de caixa e as receitas financeiras são apontadas como fatores de sustentação da capacidade de pagamento.
O índice de payback projetado, que considera a relação entre a dívida líquida ajustada e o balanço operacional, está em uma média de 1,6 vez para o período de 2028 a 2030.
A cobertura real do serviço da dívida é projetada em 2,1 vezes, enquanto a dívida líquida consolidada era negativa em -4,9% da Receita Corrente Líquida (RCL) em dezembro de 2025.
Terceiro ano consecutivo com a mesma avaliação
Com a manutenção do perfil individual “bbb” em 2026, o Paraná repete o resultado registrado em 2024 e 2025.
A sequência mantém a avaliação própria do Estado acima da nota soberana, embora o rating internacional continue condicionado à classificação de risco do Brasil.
O que é o rating?
O rating é uma avaliação de crédito realizada por agências independentes para medir a capacidade de um governo, empresa ou instituição de cumprir suas obrigações financeiras.
A Fitch Ratings está entre as três principais agências de classificação de risco do mundo, ao lado da Standard & Poor’s e da Moody’s.
As classificações da Fitch vão de “AAA”, nível mais alto de segurança, até “D”, que representa inadimplência. As avaliações são utilizadas por investidores e instituições financeiras para analisar riscos de crédito.





